1217 doaram órgãos no Brasil, mas poderiam ser mais de 4 mil

Luiz Carlos Domenico é professor. Há cinco anos, descobriu uma doença no fígado e com isso veio a notícia: precisava de um transplante. Depois de dois anos na fila de espera, conseguiu um doador. Há três, vive normalmente graças a parte do corpo de outra pessoa.
Hoje (27) é o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Em entrevista a Rádio Saúde, o professor afirmou que o número de transplantes aumentou devido a conscientização, porém muito mais ainda pode ser feito. Sempre me considerei um doador, mas de conhecimento, hoje sou um divulgador e incentivador da doação de órgãos, revelou Luiz Carlos.
Para ele, o desejo daqueles que não querem doar, independente do motivo, deve ser respeitado. Mas não pode faltar informação. Devemos informar que a análise da morte cerebral é feita com muito critério antes de qualquer doação. E temos que ressaltar que, ao contrário do que muitos imaginam, o corpo do doador falecido não fica desfacelado ou desarrumado depois da retirada, explica. 
Números
De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de janeiro a junho de 2012, ao todo, o Brasil teve mais de 4.073 doadores de órgãos potenciais, porém, somente 1.217 efetivaram o ato. 
O Paraná é o 4º estado brasileiro em número de doadores potenciais, mas cai para a 7ª colocação na quantia de doações efetivadas. Em destaque, neste ano, estão São Paulo, com 398 doações no primeiro semestre, Minas Gerais, com 124, e Rio de Janeiro, com 115. No Paraná, foram apenas 77 doadores.
Por outro lado, o Estado merece mais crédito quando é levado em conta o número de habitantes. No total de doadores potenciais por milhão de população (pmp), o Paraná é o 8º colocado, com 60,7 pontos na projeção anual. A posição sobe no caso de doadores efetivos, ficando na 7ª colocação, com 14,7 pontos. Santa Catarina é o estado com mais doadores efetivos proporcionalmente, com 26,6 pontos. 
Brasil
No 1º trimestre deste ano, o Brasil chegou a marca de 12,5 pmp. Além de Santa Catarina, São Paulo e o Distrito Federal se destacam. 
Os dados representam um aumento de 19% no total de doações de falecidos. O Brasil é o 2º país do mundo que mais realiza transplantes por ano. 
Transplantes em Laranjeiras
De acordo com o banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), de 2009 a 2011, foram oito os procedimentos de transplante de órgãos realizados em Laranjeiras do Sul, sendo cinco no primeiro ano, dois no segundo e um no ano passado.
A maior parte deles é de transplante de córnea, que somam cinco procedimentos, sendo um em cirurgias combinadas e um de reoperações. Além disso, houve um transplante de rim cujo doador era vivo e outro que estava falecido. Também em 2009, foi realizado um procedimento de transplante alogênico de células tronco de medula óssea.

Quero ser doador
Não há como tornar oficial o desejo de ser um doador após o falecimento. O que define se haverá um transplante ou não é a decisão dos familiares de quem morreu. Sendo assim, cada um deve informar a família sobre a sua intenção.
Após a morte, podem ser transplantados córneas, coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, pele, ossos e válvulas cardíacas. A remoção dos órgãos só ocorre após constatação de morte encefálica.
Em vida, o rim, medula óssea e parte do fígado, pulmão e do pâncreas podem ser doados. Pessoas de qualquer idade podem doar, desde que sejam realizados exames que comprovem a capacidade física.