Acusado de estelionato contesta motivo de prisão

Preso em abril do ano passado acusado de estelionato, Adilson de Mello procurou a reportagem do Diário Correio do Povo do Paraná, para dar sua versão sobre a história. Mello foi preso na tarde do dia 04 de abril junto com a esposa Eliane Diba.
No ato da prisão, a polícia informou que ele enganou inúmeras pessoas na cidade. Sob o pretexto de ter esquema com a Receita Federal, ele vendia carros comprados em leilão. Adilson recebia o valor correspondente em uma conta bancária, mas não entregava os carros. Apenas ficava com o dinheiro.
No entanto, ele contesta a história. Adilson reclama que durante a prisão, não teve a oportunidade de ser ouvido para explicar o caso. Ele lembra ainda que sua esposa, presa em casa quando cuidava da filha, não sabia da história. Chegaram e invadiram. Não tinham mandado para entrar em minha casa. Recolheram toda a documentação e não tínhamos nada para se defender. Foi uma prisão arbitrária. Eu consegui provas depois que eu sai. Primeiro tive que pagar um preço alto, lamenta.

O ESQUEMA
Seis meses depois de sair da prisão por força de um habeas corpus, Adilson disse que sua prisão foi equivocada. Ele contesta também alguns depoimentos à Justiça que afirmam que ele vinha aplicando golpes em Laranjeiras desde 2006. Segundo ele, neste ano ele trabalhava em uma empresas de serviços de saúde em Curitiba, onde ficou até 2009.
Ele contou que ao sair do emprego, iniciou os projetos para montar um restaurante. Para conseguir dinheiro, começou a comprar e revender carros. Mello disse que nesse meio tempo conheceu algumas pessoas que falaram sobre uma leiloeira que vendia carros pela metade do preço. Como não tinha condições de prosseguir no negócio sozinho, Adilson convidou alguns conhecidos.
O processo era simples. Mello levava as pessoas até o pátio da leiloeira em Curitiba para que pudessem ver os veículos e fechava o negócio. 50% do valor era depositado em uma conta durante a negociação e a outra metade depois do recebimento do carro.
Segundo ele, a alegação de esquema com a Receita Federal surgiu depois, pela má fé da pessoa da leiloeira responsável pela venda dos veículos antes de ir para o leilão. O negócio funcionou no início, mas logo depois, o golpe foi consolidado. Eu sou culpado porque convidei as pessoas para entrar. O cara armou para mim. Só eu peguei do Banco do Brasil, no meu nome, R$ 150 mil e as outras pessoas inteiraram com R$ 10 mil, R$ 20 mil, mas todas estavam cientes do que estavam fazendo. Todos sabiam do risco, defendeu-se.

O GOLPE
Adilson disse que a pessoa que vendia os carros que deveriam ir para leilão depois de um tempo disse ter esquema com a Receita Federal para agilizar o processo. Inclusive o local do depósito era um caixa do Banco do Brasil, localizado dentro de um agência da Receita em Curitiba. Fomos lesados. Esse tal de Valdir ninguém mais viu. Apenas começamos a receber ameaças de morte para não levar isso para frente. Acho que tinha gente grande envolvida, revela.
Acreditando no negócio, Melo dava garantia aos convidados. Ao recolher o dinheiro, dava um contra-cheque pessoal com o valor do carro. Me condenei ali, pois só intermediava o negócio e acabei ficando devendo. Foram 11 pessoas no total. Nove de Laranjeiras e duas de Reserva do Iguaçu. Agora não tenho como pagar porque também perdi. Estão me cobrando, mas temos que buscar um consenso, completou.