“O Paraná precisa ter voz ativa em Brasília”, diz Alexandre Curi

Pré-candidato ao Senado apresenta propostas para infraestrutura, segurança, saúde e fortalecimento dos municípios

Em meio às movimentações que antecedem as eleições de 2026, o Senado Federal volta a ocupar posição estratégica no debate político nacional. Além de participar da elaboração de leis e da fiscalização dos demais Poderes, os senadores têm papel fundamental na articulação de recursos, na defesa dos interesses dos estados e na discussão de temas que impactam diretamente a vida dos municípios.

Com o objetivo de apresentar aos leitores as ideias, propostas e compromissos dos postulantes à Câmara Alta, os jornais Correio do Povo do Paraná e Extra Guarapuava iniciam uma série especial de entrevistas com os pré-candidatos ao Senado pelo Paraná. O foco será a região Central do Estado, especialmente os municípios de Guarapuava, Laranjeiras do Sul e demais cidades que compõem uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento econômico, agrícola e social paranaense.

Nesta entrevista, o pré-candidato Alexandre Curi (Republicanos) fala sobre infraestrutura, saúde, geração de empregos, segurança pública, fortalecimento dos municípios e os desafios de representar o Paraná em Brasília, apresentando sua visão para o futuro da região e do Estado.

Quando geramos emprego, renda e perspectivas de crescimento, criamos condições para que os jovens construam seu futuro nas próprias cidades

Alexandre Curi

Pré-candidato ao Senado

Jornal Correio do Povo do Paraná – A região Central do Paraná, especialmente Laranjeiras do Sul e Guarapuava, possui forte vocação agropecuária e florestal, mas ainda enfrenta gargalos logísticos históricos. Se eleito senador, quais serão suas três prioridades para melhorar a infraestrutura regional e como pretende viabilizá-las politicamente em Brasília?

Alexandre Maranhão Curi – Conheço profundamente os desafios logísticos da região. Como deputado, trabalhei pela duplicação e modernização da PRC-466, da PR-170 e pela viabilização de outras obras estruturantes. No Senado, minhas prioridades serão ampliar os investimentos federais em rodovias estratégicas, fortalecer a infraestrutura ferroviária para o escoamento da produção e garantir recursos para a logística rural. A ampliação do modal ferroviário é uma urgência para desafogar as rodovias e reduzir custos logísticos. O governo federal precisa priorizar o processo de concessão da Malha Sul, previsto para 2027. Vamos participar desse debate, porque o modelo proposto pelo Ministério dos Transportes, dividido em três blocos, não atende plenamente aos interesses do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Além disso, precisamos reforçar a segurança pública no campo e nas cidades e avançar no financiamento da saúde pública, ampliando a participação da União. O Paraná precisa ter voz ativa em Brasília para defender investimentos que melhorem a qualidade de vida da população e aumentem a competitividade do agronegócio e da indústria.

Correio do Povo – O esvaziamento populacional de pequenos municípios preocupa gestores públicos e lideranças locais. Muitos jovens deixam a região em busca de oportunidades nos grandes centros. Que políticas públicas o senhor considera essenciais para gerar emprego, renda e inovação no Interior do Paraná?

Alexandre Curi: Tenho seis mandatos como deputado e por quatro vezes fui o mais votado do Paraná. Atribuo isso ao perfil municipalista do meu trabalho, com apoio principalmente aos pequenos municípios da nossa região Central. Prosperidade chega onde há infraestrutura, educação e qualidade de vida. É preciso fortalecer as cidades por meio da modernização da infraestrutura urbana, apoiar a agroindústria, incentivar a inovação no agronegócio e ampliar a qualificação profissional dos jovens. O Paraná já é referência na produção de alimentos, mas pode avançar ainda mais na agregação de valor à produção primária. Quando geramos emprego, renda e perspectivas de crescimento, criamos condições para que os jovens construam seu futuro nas próprias cidades. O Estado tem feito sua parte, mas a União também precisa contribuir mais, e é isso que vamos defender no Senado.

Correio do Povo – O Senado tem papel decisivo na fiscalização dos gastos públicos e na discussão do pacto federativo. Na sua avaliação, os municípios da região Central recebem a parcela justa dos recursos arrecadados pela União? Que mudanças o senhor defenderia para fortalecer financeiramente as prefeituras?

Alexandre Curi – Hoje, de cada R$ 100 arrecadados em impostos que saem do Paraná para Brasília, apenas R$ 36 retornam ao Estado. Isso demonstra que o pacto federativo precisa ser revisto. A União concentra a maior parte da arrecadação, enquanto estados e municípios assumem responsabilidades cada vez maiores. Defendo uma distribuição mais equilibrada dos recursos, fortalecendo estados e prefeituras, que estão mais próximos da população e conhecem as demandas reais das comunidades. São os prefeitos, vereadores e lideranças locais que enfrentam os desafios do dia a dia. É para os municípios que os recursos precisam chegar com mais eficiência.

Correio do Povo – Segurança pública e combate ao tráfico de drogas continuam sendo desafios em cidades de médio porte e também em municípios menores. Qual é sua proposta para ampliar a integração entre União, Estado e municípios no enfrentamento da criminalidade no Interior paranaense?

Alexandre Curi –  Segurança pública exige integração, inteligência e legislação eficiente. Defendo maior cooperação entre as forças federais e estaduais, fortalecimento do combate ao crime organizado e endurecimento das penas para criminosos reincidentes e líderes de facções. A BR-277, por exemplo, é uma rodovia estratégica para o Paraná. Agora, eu pergunto, com que frequência as forças federais realizam operações de combate ao tráfico de drogas, contrabando, roubo de cargas e furto de veículos? Precisamos cobrar maior atuação e presença das forças federais nessas ações. De outra parte, é importante reconhecer os avanços do Governo Ratinho Junior, com investimentos na contratação de policiais, aquisição de viaturas, armamentos, aeronaves e tecnologia. Os índices de homicídios e roubos vêm apresentando queda, e em 70% das nossas cidades não houve crime de morte nos primeiros quatro meses do ano. Mas é possível avançar mais com maior integração entre os entes federativos. Além disso, defendo a discussão de um novo pacto nacional de segurança pública, com maior autonomia para que os estados possam legislar sobre a penalização dos criminosos, respeitando as realidades regionais e ampliando a eficiência no combate à criminalidade.

Correio do Povo – O eleitor está cada vez mais desconfiado da classe política e cobra resultados concretos. Ao final de um eventual mandato no Senado, qual obra, projeto ou transformação o senhor gostaria que os moradores de Guarapuava, Laranjeiras do Sul e região reconhecessem como sua principal contribuição?

Alexandre Curi – Compreendo a desconfiança que muitas pessoas têm em relação à política. Mas, da minha parte, posso afirmar que ao longo dos meus seis mandatos procurei exercer uma atuação baseada no diálogo, no trabalho e na entrega de resultados concretos. Se tiver a oportunidade de representar o Paraná no Senado, quero ser lembrado por ajudar a ampliar os investimentos federais no Estado, fortalecer os municípios e garantir que regiões como o Centro-Sul tenham a infraestrutura, os serviços de saúde e as oportunidades que merecem para continuar se desenvolvendo.