Adolescentes têm responsabilidade?

É em época de eleição que a população decide quem governará sua cidade, estado ou país. O Brasil, considerado um país democrático, coloca-se em situação de controvérsia pela obrigatoriedade do voto. O alistamento eleitoral é um dever para maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos e jovens com idade entre 16 e 18 anos.
O voto obrigatório é adotado desde 1932, com o Código Eleitoral de Getúlio Vargas, e permanece até hoje. O objetivo da Lei é dar ao cidadão a oportunidade de escolher representantes, porém, obriga-o a votar mesmo sem que haja o desejo. Para muitos, este é um fator que possibilita o voto sem responsabilidade e consciência e favorece a compra e venda de votos.
O cancelamento desta obrigatoriedade agradaria a professora de artes Fernanda Karin Marquardt. O voto facultativo é interessante, aquele que sente vontade e acredita estar pronto para votar, vai participar comentou. O professor de filosofia e sociologia Marcos Aires Guine não concorda com o voto obrigatório. Acredito que antes dele ser obrigatório no Brasil teria que conscientizar as pessoas, porque os brasileiros, nos dias de hoje, estão acomodados e, talvez assim, não de o coro eleitoral para poder eleger os candidatos, argumentou. O professor diz acreditar que desta forma a compra de votos é maior. Se é obrigatório, eu tenho que ir, e se eu estou precisando de alguma coisa, vou atrás de quem pode me beneficiar, citou.
Para Noeli Rigo e Jerani dos Reis, o voto deve ser mantido obrigatório para pessoas alfabetizadas com idade entre 18 e 70 anos. Pessoas nessa faixa etária tem condições de ter opinião, destacaram. Mas também concordam que com a obrigatoriedade a probabilidade de comercialização de votos seja maior. Se eu vendo o meu voto, eu estou me corrompendo, e se a pessoa que está comprando meu voto está me corrompendo, é um corrupto que eu estou colocando no poder. Posso falhar se eu colocar uma pessoa no poder achando que ela vai melhorar e ela não fazer, mas estarei falhando diretamente se eu estiver vendendo o meu voto, ressaltou Marcos Aires Guine.
A empresária Mery Siqueira destaca a importância do voto, lembrando que a população está elegendo seus representantes, aqueles que buscarão recursos e benefícios para a população. As pessoas não votam, não participam de nada e depois reclamam, não escolhem direito seus representantes e reclamam dos serviços públicos que são prestados, destaca. A aquisição de informações e a participação da população são de extrema importância, o político atuante não está representando apenas uma pessoa, mas sim toda a população.
 
Responsabilidade  juvenil
Mesmo amparados pelo artigo IV da Constituição Federal, que garante aos maiores de 16 anos o direito ao voto, na prática, nem sempre isso acontece.
A falta de informação ou, até mesmo, de interesse pelo futuro da sociedade faz com que muitos jovens não cheguem as urnas ou não cheguem com opinião formada.
A inexperiência é um dos principais fatores que justificam esta ausência. Os jovens podem começar a ter responsabilidades e começar com suas experiências de participação na própria família. Depois passam para o contexto da escola, onde influenciam nas decisões em sala de aula, ajudando a dar mais qualidade ao processo de ensino-aprendizagem e mais vida ao ambiente escolar.
A professora Fernanda Karin Marquardt comenta que a maioria dos adolescentes entre 16 e 18 anos ainda não tem maturidade nem mesmo para escolher a profissão que irão seguir ou qual curso optar para o vestibular. Para eles, a faculdade é o futuro, e isso é o mais importante. Mesmo assim eles não estão maduros para decidir e votar interfere na vida de muitas pessoas, comenta.
O que falta nos adolescentes é consciência política, entender o que é o voto e ter opiniões, a idade interfere e a maioria ainda está voltada para a opinião dos pais, observou o professor Marcos. 
Mary Siqueira cita como exemplo a filha, de 17 anos, afirmando que ela tem maturidade o suficiente para estudar, trabalhar, namorar e, também, para votar. Os jovens de hoje são muito inteligentes e têm acesso a tudo, eles devem participar e deveria ser obrigatório o voto entre 16 e 18 anos, destacou. A empresária acredita que a maioridade deveria ser a partir dos 16 anos, tornando o ato de votar um  dever para o jovem, como também, a responsabilidade pelos próprios atos.
Com a ajuda da escola ou da família, estes adolescentes podem monitorar as políticas públicas e ajudar a disseminar o que está dando certo e sugerir formas de melhorar a situação da infância e adolescência, por exemplo.
O voto consciente é colocado em prática a partir do momento que é feita a análise das propostas dos candidatos, o acompanhamento das realizações e acontece a compreensão de como funciona o orçamento e os investimentos governamentais.