Alta dos fertilizantes compromete lucro do agricultor

Depois de sofrer com a quebras de três safras consecutivas (2003/2004,
2004/2005 e 2005/2006) o produtor pôde comemorar os bons resultados da
última safra. Mas agora tem sua rentabilidade ameaçada pelo aumento
excessivo dos fertilizantes. A queda nos lucros pode chegar até 47% em
determinadas culturas aponta previsão da Ocepar (Sindicato e Organização
das Cooperativas do Estado do Paraná).

Segundo estudo divulgado esta semana o custo dos fertilizantes está
praticamente anulando os ganhos da agricultura, mesmo com o aumento da
produção e melhoria dos preços das commodities no mercado internacional.

O diretor financeiro da Copergrão Luiz Celso Machado comenta que houve
aumento de cerca de 80% no custo dos fertilizantes apenas nos últimos seis
meses. Esse valor vai ser agregado custo da próxima safra, diz. O que
estamos notando é que essa situação pode até inviabilizar o uso de
fertilizantes em alguns casos, acrescentou.

Os fertilizantes correspondem até 40% do custo de produção de alguns
grãos. A remuneração do produtor será menor. Além disso, se reduzir o uso
de de fertilizantes, com certeza a produtividade também vai cair, compara
Luiz Celso Machado.

O engenheiro agrônomo Rogério Dapont, da Coprossel pondera que a situação
ainda não é catastrófica. Mas com certeza vai comprometer bastante a
margem do produtor, avalia. Não acredito na redução de área plantada.
Pelo menos não de forma geral. Talvez com o milho.

O produtor Naudir Tizatto, da Fazenda Fontanella em Laranjeiras do Sul
ficou assustado com o valor que encontrou este ano na compra dos insumos.
Ano passado paguei R$ 38 o saco do adubo para a soja. Este ano estava o
dobro, R$ 76, conta com as notas na mão. A maior diferença foi encontrado
com os fertilizantes do milho, que em 2007 custou R$ 42 o saco e este ano
passou para R$ 100. A uréia também subiu, foi de R$ 48 para R$ 72,
relata. Mesmo assim, a esperança é de uma boa colheita e um bom preço. Não
vou reduzir a área plantada ou a quantia de insumos. É inviável. Vou manter
meu plantio na expectativa de que o preço de venda compense o
investimento, acrescenta.

A Gerência Técnica e Econômica da Ocepar realizou um estudo que aponta as
perspectivas de remuneração nas culturas de milho, soja e trigo. “Na
cultura do trigo os custos de produção aumentaram em 27% em maio de 2008 em
relação ao mesmo período do ano anterior”.

Na soja dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostram que a
participação do fertilizante nos custos de produção já chega a 20% em
algumas regiões do Estado. “Embora a rentabilidade esperada para a safra
2008/09 seja ainda positiva, espera-se uma grande redução na margem dos
agricultores. No milho em torno de 47%”, afirma o gerente técnico e
econômico da Ocepar, Flávio Turra. A tendência é que o preço se
estabilize. Mas com um patamar elevado, encerra.