O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), entregou
nesta segunda-feira (7) à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara uma carta com
pedido de afastamento temporário por 60 dias do mandato de deputado federal.
Vargas é alvo de denúncia de envolvimento
com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia
Federal. Youssef foi preso em março por suspeita de movimentar cerca de R$ 10
bilhões por meio de lavagem de dinheiro.
Segundo reportagem da revista VEJA desta semana, para além
das viagens de jatinho nas férias, a dupla tinha planos bem ambiciosos. O
deputado e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos e conquistar a
‘independência financeira’ fraudando contratos com o governo federal. Mas, como
acontece nas relações em que há muito dinheiro envolvido, desentendimentos e
cobranças também eram comuns. Um novo conjunto de mensagens de celular
interceptadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato mostra que André Vargas
não passava apenas informações do governo ao doleiro. Ele também exercia seu
poder para cobrar compromissos de Youssef.
A PF já descobriu que Vargas usava sua influência no governo
para beneficiar o parceiro. Nas primeiras mensagens obtidas pela polícia, Vargas
e Youssef tratavam de interesses do laboratório Labogen Química Fina e
Biotecnologia no Ministério da Saúde. A Labogen é uma das empresas do esquema
do doleiro. De acordo com as investigações da PF, a empresa, que está no nome
de um laranja de Youssef, já havia conseguido fechar uma parceria com o
Ministério da Saúde pela qual poderia receber até 150 milhões de reais em
vendas de medicamentos.
André Vargas voou de férias com a família em um jato
particular pago pelo doleiro, o presente custou 100.000 reais. Com base nessas
revelações, os partidos de oposição na Câmara anunciaram que irão pedir a
abertura de processo contra André Vargas.



