A extinção das Araucárias é um problema que há 10 anos preocupa os paranaenses. A árvore, que se tornou símbolo do Paraná por conta justamente de seu predomínio por todo o território estadual, hoje corre risco de desaparecer.
A espécie, classificada desde 2006 como criticamente ameaçada, já perdeu 97% da área original e a variabilidade genética está comprometida, segundo pesquisadores.
Para o engenheiro florestal Marcelo Becker, além da falta de espaço, por conta do crescimento de áreas agrícolas, a legislação é o principal problema.
O que dificulta a preservação aqui na região é justamente a punição para aqueles que cortam os pinheiros. Ao invés de punir, deveriam ser feitas medidas para incentivar a plantação de novas áreas, para que a espécia não continue ameaçada, declara.
Conforme Becker, é preciso que sejam realizadas mais pesquisas que ajudem no desenvolvimento genético e no crescimento, para tornar a espécie mais lucrativa aos produtores.
Esperança
No final de 2015, um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) surgiu como uma esperança para o futuro da Araucária. O estudo levou onze anos para ser colocado em prática.
O projeto consiste em, basicamente, obter um plantio maior da espécie e ter uma reprodução antecipada, o que também garante retorno econômico aos produtores de pinhão – semente da Araucária que é encontrado dentro da pinha, que é fruto da espécie.
A técnica é feita com uso de brotos extraídos da copa de árvores de araucárias adultas. Desde estão, a espécie era plantada somente através da semente – pinhão. As mudas são enxertadas e permitem que produtores obtenham árvores mais baixas, entre dois e cinco metros de altura, segundo o pesquisador.
Em uma situação normal, as árvores de Araucária levam, em média, de 10 a 12 metros de altura para começar a produzir. Com o novo processo, os produtores terão a possibilidade de formar “pomares” da espécie. Por enquanto, o processo foi implantado somente na sede da Embrapa, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Importância
Becker declara que é muito importante evitar a extinção das Araucárias, pois, segundo ele, não há uma árvore que possa substituir em termo de qualidade. É uma madeira que tem um preço muito mais elevado do que as outras por conta principalmente da resistência, afirma o engenheiro.
O Decreto Federal 6.514/08, que prevê multa de R$ 500 por árvore cortada, entretanto, vale lembrar que o corte pode ser permitido. Basta o proprietário do terreno entrar em contato com um engenheiro florestal, que irá analisar o caso e assim, caso julgar necessário, liberar o corte, finaliza o especialista.



