Associativismo garante lucro nas pequenas propriedades de Nova Laranjeiras

O associativismo está mudando a vida de pequenos agricultores em Nova
Laranjeiras. Famílias como a de Vanderli Piltz Fandres, que planejava
abandonar o campo, hoje incentiva outros produtores a investirem na vida
rural.
A mudança de planos teve início com a formação das ‘Centrais’. A
primeira delas é a Central de Associações, com sede na comunidade Rio da
Prata. A segunda é a Central de Comercialização, projeto idealizado na
gestão do prefeito Eugênio Bittencourt, e que ainda está apenas
desabrochando.
Central de Associações
Entre as iniciativas, que estão servindo de exemplo para outras cidades,
está a participação no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O PAA consiste na compra de
produtos (hortifrutigranjeiros) diretamente dos agricultores para
fornecimento de merenda escolar ou abastecimento em entidades públicas. É
um programa federal. O diferencial de Nova Laranjeiras está na
organização: o trabalho da associação inicia na distribuição da lista e
orientação a respeito dos produtos que podem ser plantados até o
recebimento do dinheiro das vendas, que deve ser administrado pela Central
de Associações e dividido de forma igual entre os produtores. Os
agricultores também recebem assistência técnica gratuita. Com isso
aprendemos a diversificar nossa propriedade. Antes plantávamos milho e
feijão e tínhamos renda uma ou duas vezes por ano. Agora recebemos uma
quantia certa por mês e não apostamos todas a fichas em um único produto,
conta Ademir Francisco Kozikoski. Em média ele e a família recebem cerca de
R$ 240,00 mensais pelas vendas no projeto. Antes todo mundo falava que
Nova Laranjeiras era um município agrícola, mas o homem do campo não tinha
nada que incentivasse a produção, acrescentou sua esposa Judite
Kozikoski.
58 famílias fazem parte do PAA. O presidente da Central de Associações,
Daniel Passos, diz que a entidade é uma ferramenta dos agricultores. E
tem ajudado a melhorar a vida das famílias no campo, opina. Conforme
Daniel a entrega dos produtos acontece toda segunda-feira. A prefeitura
cedeu um veículo que vai buscar alimentos em locais pré-determinados.

A Conab emite anualmente uma lista dos produtos que podem ser plantados,
como verduras, frutas, raízes, saladas, legumes e massas. As massas
representam menos de 10% das vendas, pois o objetivo é incentivar a
diversificação de culturas na propriedade.
Central de Comercialização
Paralelo ao PAA, sob coordenação da prefeitura, o projeto da Central de
Comercialização também aumenta a renda dos produtores. A premissa é a
mesma: diversificação de culturas na propriedade. À exemplo do primeiro, o
projeto trabalha com hortifrutigranjeiros.
Atualmente os produtores entregam a produção na Central de
Comercialização. Até a formação da cooperativa que vai administrar o
projeto, a prefeitura intermedia a venda. Mas o pagamento ocorre
diretamente ao produtor, conta Luciana Passo, técnica responsável. Os
produtos são vendidos para mercados da região e para a Seasa, em Foz do
Iguaçu, em convênio recém firmado. Também estamos montando uma
agroindústria de de conservas, relata.
Cerca de 30 famílias estão cadastradas na Central de Comercialização.
Muitas integram o grupo das 58 que fazem parte da ‘outra’ Central, a de
Associações. Entre elas, a família do agricultor Vanderli Piltz Fandres,
citado no início da reportagem. Ele plantava milho e feijão. Teve
dificuldade com a estiagem, já perdeu toda a lavoura e estava pensando em
abandonar o campo e iniciar uma nova vida na cidade. Mas aprendi a
diversificar minha propriedade. Antes, eu plantava 15 hectares de grãos.
Hoje planto só um hectare de hortifrutigranjeiros e minha renda é maior,
conta. Segundo Vanderli, ele tem um lucro de R$ 400,00 plantando 70 m² de
pimentão. Se fosse no milho, precisava colher um três hectares para
chegar a esse valor, compara.

Antes das Centrais
*Agricultura familiar era ‘mono’, produtores optavam apenas por uma
cultura, geralmente grãos
*Outras culturas eram plantadas apenas para consumo da casa
*A venda acontecia de forma individual, dificultando a negociação
*Dificuldades com perdas na lavoura ‘mono’, não havia outra opção de
renda
*Renda era concentrada em um ou dois períodos por ano
*Plantio com agrotóxico
*Desmotivação: êxodo rural era crescente. Cada vez mais famílias pensavam
em abandonar a vida no campo

Depois das ‘Centrais’
*Famílias diversificaram propriedades, plantando hortifrutigranjeiros

*Renda foi distribuída em vários períodos durante o ano, respeitando a
época de plantio de cada produtor
*Renda foi otimizada. Famílias comprovaram capacidade de melhorar o lucro
diversificando a propriedades
*Motivação para continuar no campo, famílias estão mais felizes,
investindo em suas propriedades
*Mais saúde: agricultores reduziram quantidade de agrotóxicos. Dependendo
o projeto, plantam somente orgânicos, sem uso de produtos químicos
*Fortalecimento do associativismo, promovendo o crescimento ordenado

Evolução da participação no PAA
Ano 1 (2006) – 19 produtores cadastrados , 7 produtos, e uma renda anual
de R$ 36 mil
Ano 2 (2008) – 58 produtores cadastrados, 31 produtos, e uma renda de R$
118 mil
Ano 3 (2009) – 58 produtores cadastrados, 41 produtos e uma renda
(prevista) de R$ 140 mil