Audiência na segunda-feira definirá indenização de cada trabalhador

O procurador regional da República Carlos Aguiar afirmou que são recorrentes os casos em que trabalhadores são flagrados em condições análogas à escravidão na região oeste do Paraná. Na sexta-feira (13), 20 pessoas foram retiradas uma fazenda em Guaraniaçu, a 50 quilômetros de Cascavel. O dono da propriedade e um funcionário foram presos.
Os trabalhadores, responsáveis pelo serviço de roçada e limpeza de pasto na fazenda, encontravam-se “em situação extremamente degradante num alojamento improvisado, feito com pedaços de madeira coberta com lona plástica”, de acordo com a denúncia.
As camas em que eles dormiram eram feitas com galhos de árvores e colchonetes sujos e rasgados. O grupo não tinha condição de sair do alojamento em que vivia, porque não é possível deixar o local a pé.
Esse tipo de serviço é praticado de forma recorrente na região. Tanto que existem os agenciadores, que ganham, e ganham bem, para intermediar. De certa forma, é para fazer com que o empregador não suje as mãos, disse o procurador.
Um dos trabalhadores afirmou à equipe do Ministério Público Federal que foi à fazenda que estava no local há três anos. Ele contou que há 25 anos trabalha desta forma na região.
O dono da fazenda, Nelson Slavieiro, foi preso. Depois, pagou fiança de R$ 400 mil e foi liberado. O advogado que representa o fazendeiro preferiu não se manifestar.
João Júlio Borges Machado, que, de acordo com a denúncia, agenciou a mão-de-obra, também foi preso. O advogado dele, Amarildo Horvath, negou que os trabalhadores estivessem em condição análoga à escravidão.
São pessoas que já estão acostumadas com esse sistema de trabalho. Não digo acostumadas à questão insalubre ou porque estavam próximos a riachos. Esse sempre foi o sistema de trabalho utilizado naquela região. Quando eles vão para lá, sabem exatamente o que vão enfrentar. Até por que a maioria, quase a grande maioria, já fizeram outros trabalhos, alegou Horvath.
Na segunda-feira (16), haverá uma audiência para definir quanto cada trabalhador deve receber pelo trabalho realizado mais uma indenização.
“Levavam essas pessoas para a frente de trabalho, davam a essas pessoas um ambiente que nem para as os animais seriam adequados”, afirmou o procurador Carlos Aguiar.