Dizem por aí que ser avó significa ser mãe duas vezes. Está aí uma verdade, pois muitas têm um importante papel juntos aos seus filhos e filhas na árdua tarefa de criar seus bebês, ocupando não apenas sua real função, mas também atuando como babás, amigas, conselheiras. Quase sempre são as avós quem auxiliam as filhas, mães de primeira viagem, nos tratos iniciais com suas crias.
E continuam a dar suporte no decorrer dos anos, acompanhando de perto o crescimento dos netos.
Por motivos diversos, alguns pais não podem se dedicar à educação dos filhos de forma mais ativa.
É importante para a formação das crianças o contato com diferentes formas de pensar, desde que elas envolvam respeito às diferenças culturais, religiosas e geracionais. De qualquer forma, ensinar valores como respeito, civilidade, sensibilidade aos sentimentos dos outros, generosidade, etc. são sempre benéficos para a convivência social e para a sociedade de forma geral. É nesse momento que os avós entram em cena.
Vó Rozária
Rozária Chaves, que deu a luz a seis filhos, moradora no bairro São Francisco, em Laranjeiras do Sul, é um exemplo de dedicação e amor ao neto que ela cria como filho.
Ela explica que uma de suas filhas, mãe biológica de Giovane, hoje com 20 anos, teve que mudar para Cascavel onde foi trabalhar e obrigou-se a deixar sob os cuidados da mãe o filho excepcional e outra menina.
Após alguns anos a filha veio buscar as crianças, mas Giovane preferiu ficar com a avó e apenas sua irmã, na época com 15 anos, acompanhou a mãe.
Foi uma decisão difícil, conta Rozária, mas segundo ela prevaleceu a vontade do neto; e mãe e filha então, decidiram acatar a decisão de Giovane.
Amor especial
Criei seis filhos e o Giovane que estuda na Apae. Ele está comigo desde que nasceu e como é especial e minha filha não tinha como criá-lo eu assumi o papel de mãe, orgulha-se Rozária.
Ao falar sobre o neto/filho, ela se emociona e ressalta que Giovane apesar de suas limitações, é uma pessoa que a ajuda muito, inclusive na tarefas domésticas.
Giovane por sua vez faz questão de enaltecer o carinho que sente pela sua avó, que ele chama de mãe – a mãe biológica ele chama de tia – ele afirma que se tivesse que optar entre viver com a sua avó/mãe ou a mãe biológica, ficaria com ela referindo-se a avó.
Papel de mãe
A história de Rozaria e Giovane, não é fato isolado, pois nos dias de hoje com a correria do cotidiano e com as mulheres conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, o papel de mãe fica em segundo plano, abrindo caminho para que as avós assumam essa função.
O tempo de convivência diária e o tipo de relação definem a forma de relacionamento. A responsabilidade cotidiana tem uma forma de tratamento diferente de quem ajuda temporariamente, porque, nesses casos, os avós assumem o papel de educadores. É preciso também ter regras diferentes, para os casos de apoio enquanto os pais trabalham ou quando os avós assumem integralmente a responsabilidade parenteral, em caso de morte ou abandono dos pais.
Amor especial
Amo todos os meus seis filhos biológicos, mas o amor que eu sinto pelo Giovane não tem comparação, confessa. Talvez até pela sua condição de especial, mas acredito mesmo que o carinho que tenho por ele, é por ser mãe duas vezes, como avó, descreve Rozária com expressão de ternura ao olhar para o neto.
A avó/mãe Rozária e Giovane estão hoje em Cascavel onde passarão o Dia das Mães, com a mãe biológica, que o jovem chama de tia.



