Câmara pode tirar casas de jogos da clandestinidade

A legalização dos jogos de bingo, videobingos e caça-niqueis, que tramita no Plenário da Câmara dos Deputados deve regulamentar nos próximos dias as atividades que funcionam na clandestinidade em várias cidades do País. Os jogos de bingo e as máquinas caça-niqueis estão proibidos no Brasil desde 2004.
A proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto aprovado é o substitutivo do deputado Regis de Oliveira (PSC-SP) ao Projeto de Lei 2254/07, que tramita em conjunto com vários outros. O substitutivo não inclui os cassinos.
Em Laranjeiras do Sul, as opiniões se dividem. Segundo relatos de uma pessoa que não quis se identificar, o movimento em locais de jogos é pouco, o jogo é barato e tido como um passatempo. Quem aposta, não perde ou ganha quantias altas, vai mais para brincar. Eu, por exemplo, perco aquilo que posso perder. Se ganhei tá bom, se perdi volto para casa. Mas tem pessoas que vão jogar e esquecem da casa. E esse que é problema, disse o jogador.
Para quem participa dos jogos, mesmo que a lei não libere a prática e os endereços possam ser fechados, o pessoal joga em casa, entre amigos. Isso é normal. No Brasil inteiro existe isso. Então, está mais que na hora de liberarem. Na minha opinião o pessoal vai jogar porque gosta, ninguém é obrigado, acrescenta a fonte.
Outra pessoa, que também preferiu manter a identidade em sigilo, discorda. O vício do jogo é uma doença, como o alcoolismo e o tabagismo. Faz mal a saúde e destrói famílias. As pessoas não se controlam. Começam jogando pouco e quando percebem estão apostando todo o dinheiro que possuem. Tive casos como este na família, opinou.
Em Laranjeiras, a maioria dos jogos funciona com grupos fechados de 10 ou 12 pessoas. Eles se encontram durante as noites, nas casas de jogos, e passam o tempo se divertindo com as apostas, sejam elas altas ou baixas.
O movimento, segundo apurou o Jornal Correio, gira em torno de R$ 500 por noite, valor que varia a cada jogo. Tem casas que funcionam três vezes por semana, aí a arrecadação é pequena cerca de R$ 1 mil por semana, revela outra pessoa. O ‘cafife’ gira em torno de 10% do jogo para a casa, que além da alimentação, fornece a bebida. Tem pessoas que perdem em uma noite R$ 4 ou 5 mil. Fora outros que saem jogar em cidades como Foz do Iguaçu e até na Argentina, conta. Segundo essa mesma fonte, já teve jogador que ganhou em Laranjeiras cerca de R$ 100 mil no ano, em jogo de cartas.

Mexeu com jogo é malandro
O delegado de Laranjeiras do Sul, Lino Lopes, é contra a legalização das casas de jogos. Segundo ele, esta é uma forma dissimulada para a lavagem de dinheiro e atos ilícitos como tráfico de entorpecentes, ligados a grupos criminosos. A criação de 150 mil empregos no país não justifica a legalização do jogo. Eu sou totalmente contra. Não é por uma questão moral ou religiosa, é uma questão jurídica, defende.
Lino Lopes disse que a Polícia procura reprimir e comentou que tem notícias de que pessoas jogam em suas casas de forma dissimulada. São aficionados por jogos e isso é um vício. Qualquer jogo de azar – e baralho é um jogo de azar – aonde existe vamos reprimir, afirma. Mexeu com jogo é malandro, termina o delegado.

As regras da lei
Após acatar sugestões de colegas durante o debate na CCJ, que causou grande polêmica, o relator fez poucas alterações no texto que havia sido aprovado pela Comissão de Finanças. Uma das mudanças inclui a Segurança Pública entre as áreas que serão beneficiadas com receitas arrecadas nos jogos.
Das receitas das apostas, 80% serão destinados aos prêmios. Sobram 20% para a empresa, que vai pagar 17% de tributos. Ao lado do Imposto de Renda, ela vai destinar 14% para a Saúde, 1% para a Segurança Pública, 1% para o Esporte e 1% para a Cultura. A lei manteve distância mínima de 500 metros dos estabelecimentos dos jogos de azar para as escolas.

“A criação de 150 mil empregos no país não justifica a legalização do jogo”
delegado de Laranjeiras, Lino Lopes, que se diz contrário aos jogos de azar