O projeto do Memorial da Revolução de 1924 em Catanduvas será prioritário
dentro da secretaria de Estado da Cultura. O pedido do governador Roberto
Requião foi feito durante a Escola de Governo. O tema compôs a pauta da
reunião de ontem de manhã (17), em Curitiba e esteve a cargo da secretária
Vera Mussi que destacou que o Paraná tem história. Uma história bonita que
este governo está recuperando e mostrando aos paranaenses.
Requião lembrou que a idéia da construção do Memorial surgiu no ano
passado, durante a cavalgada que realizou em Catanduvas, a convite do
deputado estadual Nereu Moura (PMDB), oportunidade em que a comitiva
passou por locais percorridos pelos revolucionários, inclusive dois
cemitérios. A partir daí, o governo constituiu uma comissão com a presença
do Exército, Polícia Militar e Unioeste para a revitalização da memória
destes acontecimentos.
Este projeto é um antigo sonho de Nereu Moura que quer ver recuperada
parte da história do nosso país que teve desfecho em Catanduvas, na região
Oeste do Paraná. A Revolução Tenentista é o epicentro da Revolução de 30
que levou Getúlio Vargas à presidência do Brasil, lembrou ele, ao
destacar a importância política deste fato.
O prefeito Aldoir Bernart presente na Escola de Governo, agradeceu ao
governador Roberto Requião e ao deputado Nereu Moura pelo projeto do
Memorial, uma importante obra que resgata a história que aconteceu nos
caminhos do Paraná, especificamente em Catanduvas. Bernart disse que
além do ganho cultural que é inestimável, o município vai ganhar
economicamente com o incremento do turismo.
Esta mesma idéia é compartilhada por Nereu Moura que acredita que
Catanduvas vai passar a fazer parte dos roteiros turísticos ecológicos e
históricos do Paraná. Esta indústria sem chaminés a ser instalada, será
responsável por uma nova fase no desenvolvimento econômico do município,
destacou o deputado.
Na próxima reunião da Escola de Governo, dia 24, o tema Revolução
Tenentista será novamente abordado pelo professor Aymoré Índio do Brasil
Arantes e pelo jornalista e historiador Adelar Paganini. O arquiteto
Edinei Fraga fará a exposição do projeto do Memorial.
A revolução tenentista teve início no dia 05 de julho de 1924 em São
Paulo, após ser combatida pelo governo de Arthur Bernardes,os revoltosos
retiram-se para o Estado do Mato Grosso e posteriormente tomaram Guaira e
Foz do Iguaçu no Paraná. A intenção dos tenentes era chegar à capital
Paranaense via estrada estratégica que, posteriormente, tornou-se a BR
277, nesse ínterim aguardavam a chegada de Luis Carlos Prestes que vinha
do Rio Grande do Sul. Por sua parte o governo Federal organizou o Exército
e as polícias estaduais com intuito de combater os revoltosos que se
encontravam na localidade de Catanduvas e haviam se apoderado da estação
telegráfica local.
Os combates foram intensos duraram seis meses e, em março de 19240,
Marechal Candido Rondon à frente de 17 generais e 15 mil soldados fizeram
o ataque final tomando Catanduvas e fazendo 407 cativos. Luis Carlos
Prestes chegou atrasado ao Paraná e não pode ajudar na contenda de
Catanduvas, após o revés os revoltosos que conseguiram escapar do cerco à
Catanduvas se organizaram em Foz do Iguaçu e cruzaram o Paraguai entrando
novamente no Estado do Mato Grosso criando a Coluna Prestes que ficou
conhecida na história como a maior marcha de combate do mundo percorrendo
mais de 25000 quilômetros em dois anos, vindo depor armas somente em 1927,
na Bolívia.



