Ciclone se afasta e paranaenses não precisam se preocupar, afirma Simepar

Após um dia marcado por registros significativos de ventos fortes que atingiram todo o Paraná, especialmente a metade sul, e causaram estragos em algumas cidades, a frente fria associada a um ciclone extratropical perde força nesta quarta-feira (14). Em Curitiba as rajadas passaram dos 81 km/h. Em Palmas, na região sul, elas foram de quase 70 km/h.

O cenário assustou muita gente, principalmente depois que o Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um alerta para a formação de um ciclone extratropical explosivo sobre o mar entre a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul.

Praticamente parado na costa entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, o ciclone extratropical ‘explosivo’ tende a se deslocar para o alto mar antes mesmo do fim desta semana. De acordo com o meteorologista Samuel Brown, do Instituto Meteorológico do Paraná (Simepar), com a mudança de estação, o aquecimento da água do Oceano Atlântico favorece o surgimento de sistemas de baixa pressão e de ciclones.

O fenômeno se formou na terça-feira (13) e ainda não foi embora. O ciclone extratropical, considerado o mais intenso registrado no Atlântico Sul, deve continuar ganhando força e se aprofundando nos próximos dias, conforme os órgãos de meteorologia, mas a tendência é de que ela não provoque grandes transtornos aqui no Paraná, apesar de ainda estar associada à frente fria que trouxe ventos fortes e chuva ao estado.

O termo ciclone extratropical explosivo, utilizado pelo Centro de Previsão de Tempo e Eventos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e por meteorologistas de fora do país, se deu devido a forte pressão atmosférica no centro do ciclone. A pressão dentro desse ciclone não é uma situação comum, principalmente no Sul do país. Por isso ele foi chamado por alguns centros de ‘explosivo’. Na verdade ele é um ciclone extratropical com potencial para provocar ondas bastante intensas, acima de 6 metros, na costa da Argentina e Uruguai, conta Brown.

Os ciclones extratropicais são mais comuns em estações intermediárias, mas Samuel Brown esclarece que, mesmo no inverno, a situação não é exatamente incomum. Estamos praticamente no fim do inverno. A partir de agora, realmente, é a época em que essas situações e ciclones extratropicais se formem com mais frequência, diz o meteorologista.

O meteorologista também faz um alerta sobre o indicativo da formação de um novo ciclone extratropical na costa do Uruguai e do Rio Grande do Sul na próxima segunda-feira (19). Novamente ele se afasta em direção ao oceano. Normalmente se formam na costa da Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul e avançam a leste, em direção ao Oceano Atlântico, diz Brown.