Cidade terá Marcha das Vadias, sábado

Uma das cidades mais violentas do Paraná e do Brasil para as mulheres realiza no próximo sábado (23) a versão guarapuavana da Marcha das Vadias. O movimento, já difundido mundialmente, tem como objetivo pedir um basta na violência contra a mulher e, principalmente, o fim da culpabilização da vítima em casos de estupro. A primeira Marcha das Vadias aconteceu no Canadá, em 2010, depois de um policial afirmar que a culpa dos estupros era da vestimenta das mulheres, que deveriam parar de se vestir como vadias. A sociedade prefere julgar o comportamento das mulheres e minimizar a ação do agressor. Ou seja, é preciso educar as mulheres a se vestir, mas não educamos os homens a não serem estupradores, afirma a professora e doutora em história, Rosemeri Moreira, uma das organizadoras da Marcha.  O nome das vadias é uma ironia. A sociedade focaliza a vítima perguntando a roupa que ela estava, onde estava, que horas ela estava, sempre culpabilizando a vítima. Os dados sociológicos do Brasil não concordam com essa visão, porque os maiores índices de estupro são mulheres que não estão glamourizadas e estão indo ou voltando do trabalho, afirmou a professora.
Em Guarapuava, a ação partiu de jovens estudantes por meio da rede social facebook, mas ganhou força e conta com o apoio de entidades, como a APP-sindicato, o Movimento do Passe Livre (MPL), o Movimento Levante pela Juventude, a Marcha Mundial das Mulheres e o Movimento de Mulheres da Primavera. 
Violência é maior que a média nacional
No Mapa da Violência 2012, Guarapuava está entre as cidades com os piores índices de violência contra a mulher no Paraná e no Brasil. No estado, está em 11° lugar e entre todos os munícios brasileiros com mais de 26 mil mulheres, a cidade ficou em 91° lugar. A pesquisa foi produzida pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça e elencou os municípios com taxas acima de oito homicídios em cada 100 mil mulheres, o que representa quase o sobro da média nacional. Guarapuava apresenta a taxa de 8,2. A marcha vai expor os dados em público. Independente do comportamento, nenhum código penal diz que se pode estuprar mulheres que usam minissaia. Não é o decote que é crime, é o estupro, afirma Rosemeri.