Cigarro causa um dos cânceres mais frequentes no brasileiro, e não é o de pulmão

Saúde

O câncer de bexiga é o nono mais frequente na população. Fumantes têm até cinco vezes mais chances de desenvolver a doença

  • Compartilhe Essa Notícia
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
Divulgação
Divulgação

Quando uma pessoa fuma um cigarro, está flertando com cerca de 50 doenças diferentes, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Considerando-se somente o câncer, são 12 tipos diferentes causados pelo tabagismo e, embora o de pulmão seja o mais comum, outros órgãos e sistemas do corpo podem ser afetados, inclusive a bexiga.

Embora não seja muito divulgado, o câncer na bexiga é um dos dez tipos de câncer mais frequentes na população, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cancerologia. “Muitas substâncias tóxicas são absorvidas pela corrente sanguínea e também eliminadas por ela. Como a urina é armazenada na bexiga, essas substâncias podem causar alterações crônicas no órgão, inclusive o câncer.” A explicação é do oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) André Sasse. Ele afirma que a incidência de câncer de bexiga é cinco vezes maior em pacientes que fumam.

 
Um dos principais sintomas pode ser, também, o responsável pela taxa de mais de 90% de cura: sangramento na urina. Sasse avalia que expelir sangue ao urinar assusta muitos pacientes, o que possibilita um diagnóstico precoce. Quadros de dor acompanhando o sangramento são menos frequentes, mas também podem ocorrer.

Esse tipo de câncer é mais frequente em homens que em mulheres. Segundo o Inca, das 3.642 pessoas que morreram pela doença em 2013 em todo o Brasil, 2.542 eram homens. “Geralmente são homens que fumam desde a infância. A doença aparece por volta dos 60, 70 anos de idade. Isso quer dizer que essas pessoas tiveram uma exposição intensa e por muito tempo ao cigarro”, diz o oncologista.

O especialista ainda destaca que, em muitos casos, o paciente já parou de fumar quando desenvolve o câncer na bexiga. “O cigarro é prejudicial desde o começo. Mesmo pessoas que conseguiram interromper o tabagismo ainda carregam lesões no corpo que serão carregadas pelo resto da vida.”

Diagnóstico e tratamento

Diagnosticar o câncer na bexiga começa com uma cistoscopia. O exame é feito pela uretra e avalia se há lesões sugestivas de tumor. Se a doença for superficial, o tratamento consiste na retirada do tumor e uma raspagem no órgão.

Nos casos de doença infiltrativa é necessário retirar a bexiga e fazer uma derivação urinária para o paciente. Combina-se, então, a cirurgia com sessões de quimioterapia.

Em casos mais raros pode-se fazer uma bexiga artificial, mas, para isso, é preciso que o paciente esteja em bom estado geral. Trata-se de um procedimento complicado e pouco frequente.

  • Compartilhe Essa Notícia
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter