O toc-toc dos martelos e os montes de areia espalhados pelos terrenos
revelam que a região está em plena atividade. Em Laranjeiras do Sul, por
exemplo, poucas quadras não possuem uma casa ou um prédio em construção
ou
reforma. Segundo dados do departamento de Engenharia da Prefeitura de
Laranjeiras do Sul, só neste ano foram autorizados pelo menos 300 novas
obras residenciais e comerciais. O investimentos e créditos
disponibilizados pelas instituições financeiras nos últimos meses aqueceu
o
setor da construção civil.
Com isso, já começa a faltar dos principais itens para uma obra como
tijolos, cimento, derivados do ferro e aço, telhas de amianto e outros.
Além, é claro, da mão-de-obra qualificada. Pedidos que antes vinham em
dois ou três dias, agora demoram pelo menos 20. Os produtores aumentaram
os
preços mas não têm condições de aumentar a produção e atender a grande
demanda, avalia José Carlos Cherpinski, da Constru & Cia, em
Laranjeiras
do Sul.
Na região, a situação não é diferente. Segundo o gerente administrativo
da
Kruger Materiais de Construção de Três Barras do Paraná, Valdemir
Scarmucin, o ferro teve um aumento de 70% nos últimos meses e mesmo assim
as metalúrgicas não estão fazendo vendas antecipadas. Já o tijolo que
custava no ano passado R$ 200 em Três Barras hoje não sai por menos de R$
350. O tijolo de Prudentópolis que custava R$ 250, agora está custando R$
420, sem prazo de entrega.
Há 21 anos no mercado, Anselmo Goin da loja Casarão Materiais de
Construção, de Quedas do Iguaçu, disse que a empresa está evitando fazer
vendas antecipadas neste momento. O governo liberou créditos para
consumidor na área de construção civil mas esqueceu de preparar o setor
industrial para o que viria pela frente. Com isso os preços subiram e não
se acha o produto para comprar, adverte ele, também lembrando a a falta
de
mão-de-obra qualificada. Os poderes públicos precisam viabilizem com
urgência cursos para qualificar nossos cidadãos, pois temos muita gente
para trabalhar, mas sem qualificação, conclui Anselmo.
ATÉ 2010
Conforme o engenheiro civil Milton Sales, a previsão é o crescimento
contínuo do setor até 2010. Estamos preocupados com a falta de
materiais.
Também estamos deixando de assumir ou executar algumas obras pela falta
de
profissionais qualificados, destacou Sales. Algumas empresas que fazem
entrega de concreto industrializados e pequenas casas do setor estão
recorrendo as lojas comprando no preço do varejo para poderem cumprir e
atender a demanda e os clientes.
Para o gerente da Comercial Virmond de Laranjeiras do Sul, Vanderlei
Scarpari, investir em obra no momento é o melhor negócio. Seja para
alugar, vender ou mesmo uma melhoria na casa, é melhor aplicar o dinheiro
na construção civil do que deixar no banco, com baixos rendimentos,
aconselha. A situação da falta de materiais agora está se normalizando.
Esteve pior uns 30 dias atrás, conclui.
O que causou a
falta de materiais
O proprietário da Constantini Materiais de Construção e presidente da
Associação Comercial, Volmar Constantini, avalia que uma série de fatores
levou a falta dos principais itens para o setor. Os vendavais descobriram
casas e aumentaram a compra de telhas. Além disso, os órgãos ambientais
fecharam inúmeras olarias que operavam de modo irregular trabalhando de
forma familiar. Fiz um pedido de cimento no dia 12 e até agora não
recebi
a mercadoria. Com o início das construções de casas no assentamento
elevou
em mais de 100%, as vendas de cimento no município, explicou Volmar.
Segundo ele, na questão do ferro há que lembrar que o mercado chinês vem
comprando em grande quantidade do Brasil, o que fará o preço subir ainda
mais. Na região de Quedas, todo cimento é distribuído na região via Porto
Seco em Cascavel. Como o depósito só tem capacidade para 30 mil sacas, as
empresas estão fazendo entregas com uso de carretas direto da
fábricas.



