A cicatriz na cabeça de Valdivino dos Santos Ramos comprova o risco que correm os moradores de Marquinho, toda vez que precisam vir a Laranjeiras do Sul. Nos 40 quilômetros que separam as duas cidades havia até a manhã de ontem 1453 buracos na pista. Perdi a direção. Não consegui segurar mais o carro. A gente desvia de um buraco, cai dentro de três ou quatro, justifica Nilson dos Santos, filho de Valdivino e motorista na ocasião do acidente.
Viajando a 80 km/h, estavam em cinco pessoas em um veículo Gol, que vinha a Laranjeiras. Um dos passageiros quebrou a clavícula, o pai cortou a testa, outro se esfolou. Fiquei três dias internado. Agora estamos parados. Não podemos trabalhar, lamenta Valdivino, que continua tomando os medicamentos devido aos ferimentos. Para consertar o carro, será necessário gastar R$ 7 mil.
A péssima condição da BR 158 é o principal problema dos moradores de Marquinho. A cidade não tem hospital e depende diretamente de Laranjeiras do Sul para vários serviços. A durabilidade de um pneu, que é na média de dois anos ou 25 mil quilômetros, pode ser reduzida a uma viagem, se percorrer os 40 quilômetros até Laranjeiras. A viagem que demorava 25 minutos, leva no mínimo 40. O maior risco é a segurança das pessoas. Para ir a Laranjeiras eu adio. Com chuva ou à noite, nem pensar, afirma o empresário Alcioni Vicenzi. Para ele, é um descaso a situação vivida pelos cidadãos do município. O progresso vem com o asfalto. Ou se coloca uma coisa boa, ou volte à estrada de chão, arrisca.
Risco maior para
quem não conhece
O motorista que não conhece a pista tem ainda mais problemas, pois não sabe quando desviar dos buracos. O agricultor Vitório Padilha, morador da Gleba Nove, só viaja à Laranjeiras ocasionalmente. Há poucos dias, caiu em um buraco onde estourou os pneus e estragou a suspensão do veículo. Foi R$ 1.2 mil para arrumar, lembra. Deviam arrumar melhor essa estrada. Do jeito que fazem, em pouco tempo enche de buraco novamente. Tinha que aguentar mais um pouco, defende.
A professora e nutricionista Silvani Toffoli leciona à noite no Colégio João Rysicz. Antes morava em Laranjeiras, mas agora está se mudando para Marquinho. Para voltar, à noite, é muito perigoso. Além da falta de sinalização na pista e de acostamento, tem os buracos. E se reduzir a velocidade, há o risco de ser assaltado, lembra.
Comércio sofre
O comércio de Marquinho também está sendo prejudicado com a condição das estradas. Segundo o empresário Vilmar José Cordeiro, muitos representantes comerciais não querem mais atender Marquinho e Palmital, justamente devido ao problema. Eles vem só até Laranjeiras. Dizem que o lucro que teriam é gasto em pneu e manutenção, porque o carro fica péssimo ao rodar nessa estrada, afirma Vilmar.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Marquinho, Wagner José Laurindo, acredita que a estrada ainda não foi arrumada devido a pouca força política do município. Conversei com o assessor de um deputado estadual, mas ele disse que aqui a rodovia é federal. Fica nisso. É uma vergonha. Falam que vão arrumar, que vai ficar boa, mas é só promessa. De concreto, mesmo, só os buracos.
Prefeito diz que obra está licitada
O prefeito de Marquinho, José Claudir Suchow, não estava na cidade na manhã de ontem. Por telefone, ele informou ao Jornal Correio que já fez pedido ao DNIT para melhorar a rodovia. Segundo ele, na semana passada (dia 16 de novembro) esteve em audiência com o superintendente do órgão no Paraná, José da Silva Tiago, que se comprometeu em solucionar o problema. Está licitado e agora só depende do governo federal disponibilizar recursos, afirmou.
Suchow informou ainda que o processo de licitação já tem uma empresa vencedora. Mas acontece que a quinta empresa entrou contra a segunda, para travar, justificou.
A licitação para o recape do asfalto até Marquinho, ainda de acordo com o prefeito, foi de R$ 9 milhões. A minha briga é para que comece o mais breve possível, mas quando depende do governo federal o máximo que a gente pode fazer é brigar e mostrar, o que fizemos, afirmou. Sei que a coisa está feia, admite.



