Deus seja louvado. A frase – às vezes imperceptível – estampada em todas as cédulas de reais, pode deixar de ser impressa em pouco tempo. A Procuradoria da República de São Paulo fez um pedido à Justiça Federal para a frase ser retirada.
A inclusão desta expressão começou em 1986, por determinação do presidente José Sarney. Já em 1994, com o Plano Real, a frase foi mantida pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, por ser tradição da cédula brasileira.
A procuradoria anunciou, na última segunda-feira (12), a ação que solicita à União o prazo de 120 dias para que as notas sejam impressas sem a frase. Segundo o Ministério Público Federal de São Paulo, a medida não gerará gastos aos cofres públicos.
Um dos principais argumentos da ação é de que o Estado brasileiro é laico e, portanto, deve estar completamente desvinculado de qualquer manifestação religiosa. Uma das teses afirma que a frase privilegia uma religião em detrimento das outras. O texto cita ainda os princípios da igualdade e o da não exclusão das minorias.
Mesmo reconhecendo que a maioria dos brasileiros seja cristã, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, ressalta que o país é um Estado laico. Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxossi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’, enumera.
A procuradoria também pede à Justiça Federal para estipular multa simbólica diária de R$ 1 caso a União não cumpra a decisão.
Opinião
A medida divide opiniões em todo o país e em Laranjeiras e região não é diferente. O sociólogo e professor Felipe Mattos Monteiro é a favor da ação. Concordo com a posição da Procuradoria, tanto do ponto de vista de alguém que se preocupa com a laicidade do Estado, e isso não significa dizer que sou contra a religião e manifestações religiosas, pelo contrário, só acho que elas devem ocorrer fora deste espaço, argumenta. Acho que também é interessante até mesmo do ponto de vista religioso, porque pelo que eu pouco sei, o dinheiro e boa parte do que resulta dele fere a maioria dos princípios cristãos. Imagine uma frase que louva a Deus em um objeto considerado profano, que é o dinheiro, isso é no mínimo uma contradição, ressalta.
A laranjeirense Ana Paula Kapazi não concorda com a pedido. Acredito que o MP deveria se preocupar com inúmeras fraudes existentes e não se ater a questões dessa envergadura. Na minha opinião, Deus, independente de qualquer religião, é um só. Além disso, muitos que manipulam o dinheiro nem sabem o que está escrito na nota, não prestam atenção nisso, somente nos algarismos e na maneira de gastá-lo, argumenta.
Para o curitibano Matheus Felipe Buzzachera de Araujo, o pedido é válido e tem fundamento. Mas sendo o Brasil um país majoritariamente cristão e devido à tradição, acho que é um detalhe elementar demais para ferir o direito de liberdade religiosa, opinou.
Com tanta ação para julgar ainda se preocupam com isso? Vamos pedir também a retirada de pessoas inúteis da justiça, satiriza a laranjeirense Andressa Silva.
Para o estudante Eloir Faria, o momento histórico em que a frase foi colocada deve ser levado em consideração e a ação é desnecessária.



