Economia fraca faz varejo repensar frete grátis

Poucos setores da economia brasileira crescem num ritmo tão alto quanto
o do comércio eletrônico. Desde 2011, o faturamento das lojas online avança a
uma taxa média de 22% ao ano. Mesmo em 2015, um ano de forte retração do varejo
como um todo, o faturamento ainda deve aumentar 15%.

Todo esse crescimento mostra quanto parte dos consumidores tem dado
preferência às compras online — e também é uma prova da enorme paciência das
empresas em colecionar prejuízos.O que tem sustentado todos estes anos no
vermelho é a crença de que no futuro o e-commerce será gigantesco e quem
sobreviver vai lucrar muito. 

Nessa briga para ganhar uma fatia de mercado cada vez maior, oferecer a
entrega de graça tornou-se a regra. Foi então que o mau desempenho do PIB brasileiro
quebrou a inércia.

A economia começou a dar sinais de esgotamento em 2013, andou de lado em
2014 e caiu numa forte recessão neste ano. Era a senha que faltava para o
e-commerce. De junho de 2013 até agora, o percentual dos fretes gratuitos no
total de entregas caiu de 62% para 39% — e a perspectiva é que continue em
queda.

Para as empresas, a regra agora é fazer o cliente pagar pela entrega e
diminuir o custo logístico, que representa de 5% a 10% do faturamento. No
primeiro semestre, o valor total dos fretes pagos pelos clientes chegou a 660
milhões de reais — 21% mais do que no mesmo período do ano anterior. O
consumidor que compra pela internet hoje paga, em média, R$ 23,68 pela entrega.