O passar dos anos fez bem a Laranjeiras do Sul. O crescimento e o desenvolvimento podem ser notados em todos os segmentos. No entanto, uma parcela da população ficou fora desse fenômeno. Suas realidades não retratam o atual momento pelo qual a cidade passa. Eles vivem um problema que se arrasta há mais de uma década e atinge várias famílias: a falta de habitação.
Conforme o secretário de Governo, Everson Mesquita, existem vários projetos de habitação na cidade. Entre eles está o Minha Casa Minha Vida. Os contratos já foram assinados, mas beneficiarão apenas 45 das 500 inscritas no projeto através de uma classificação técnica-social.
Além das casas deste programa, outras 29 casas estão sendo construídas pelo Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. A curto prazo, elas serão entregues sem nenhum custo para os beneficiados. Quando apresentamos o Minha Casa Minha Vida com 45 unidades, incluímos mais dois, também com 45 casas, mas a Caixa selecionou apenas um, conta o secretário.
Enquanto isso, às margens da BR 158 cerca de 20 famílias residem sob condições de extrema pobreza. Algumas nem tem conhecimento dos programas do governo federal. Outras não teriam como comprovar renda para receber o benefício. Os barracos cobertos por lonas pretas estão localizados a poucos metros da rodovia. Entre os moradores está Ivonete Furquim, mãe de quatro filhos, moradores há seis anos na encosta. Segundo ela, a rodovia foi a única opção de abrigo que encontrou. Entre o salário dos ‘bicos’ do marido e o benefício federal, a família passa o mês com cerca de R$ 400. Conforme ela, por diversas vezes promessas de moradias foram feitas, mas até agora sua realidade continua a mesma. Morar embaixo de uma lona é muito sofrido. Agora no inverno as coisas pioram. Queria que alguém tirasse nós daqui.
Outra acampada, Clemacir Sutil, mora com três filhos há 13 anos na beira da BR. Para ela, uma das principais dificuldades é levar as crianças até a escola, pelo perigo da rodovia. Algumas pessoas nos ajudam, mas outras passam por aqui só pra humilhar mais ainda, contou emocionada.
Para Pedro da Luz, que mora com a mulher, seis filhos e um irmão acidentado, ter o asfalto com quintal extingue as esperanças e expectativas de vida. Assim como todos os outros, Pedro consegue água em um posto de gasolina ali próximo. Lavar as roupas e banho são outro problema. Para isso é necessário que se desloquem até o Rio Leão. Eu trabalho com reciclagem, não tem como fazer outro tipo de serviço. Ninguém confia na gente pra dar serviço. Já falaram que nós iriamos ganhar a casa, mas até agora nada, lamenta.
POBREZA CRESCENTE
Para Mesquita é difícil apontar o número necessário de casas em Laranjeiras. O número de cadastrados no Bolsa Família e os indicativos sociais retratam e dimensionam o problema.Sempre trabalhamos tentando minimizar essas situações. A administração do prefeito Berto Silva vem trabalhando com essas questões como prioridade, mas é uma realidade que não se muda do dia pra noite, ressaltou.
O secretário esclareceu ainda que no mandato anterior ao de Berto, o problema havia sido praticamente resolvido. Na oportunidade foram providenciadas casas para várias famílias. A pobreza é um mal crescente. Naquela oportunidade, eles fizeram algumas casas nas proximidade do bairro Bancários. Mas nem sempre as família aceitam e as vezes aceitam e não ficam onde foram colocadas, lamenta.
Everson ressaltou ainda que a prefeitura tem apresentado projetos, mas não tem condições de resolver o problema sozinha. Segundo ele, sem a ajuda do Estado ou União é difícil algo ser feito. As pessoas que estão lá há muito tempo é porque não quiseram sair. Na medida que conseguimos projetos para Laranjeiras, faremos. Nós estamos realizando um excelente uso do dinheiro, fazendo com que ele chegue as famílias que precisem, completa.
MINHA CASA MINHA VIDA
Segundo informações da agência da Caixa Econômica em Laranjeiras do Sul, em 2009 o programa Minha Casa Minha Vida liberou 38 imóveis na cidade, os quais já foram construídos e entregues. O total do investimento foi de R$ 1 milhão e 264 mil. Em 2010, 90 unidades já estão com os contratos assinados e finalizados. Os valores totais são de R$ 1 milhão e 492 mil. Não finalizadas, atualmente são mais de 38 unidades, pois as propostas ainda estão em andamento. Oficialmente, não há proposta de financiamento do município com a Caixa para o Programa Minha Casa Minha Vida. O município tem outras formas de contrato, através dos quais já conseguiram casas. Mas isso não passa pela agência, porque não é financiamento, afirmou o gerente geral da agência, Diego Martines Rodrigues.



