Todo dia 25 de cada mês, as funcionárias que trabalham no agendamento da secretaria de Saúde de Laranjeiras do Sul sabem que precisam chegar pelo menos dez minutos antes no trabalho. Às 7h30 da manhã abrem as vagas na Central de Agendamento do Paraná, para doentes que precisam de atendimento especializado.
De todas as vagas disponíveis em Curitiba, 70% ficam para a capital e região metropolitana. O restante é disputado entre todos os demais municípios do Paraná. Tem mês que a gente consegue duas ou três vagas para Curitiba. O sistema sempre congestiona, porque o Paraná inteiro está tentando agendar, afirma Apoliana Ubiali, uma das funcionárias do TFD – Tratamento Fora de Domicílio.
A falta de médicos levou o consórcio Assiscop a oferecer um salário de R$ 20 a R$ 25 mil para um especialista em radiologia. Mesmo assim, o profissional para assinar os laudos de tomografia, ultrassonografia, Raio X, mamografia não foi encontrado. Temos dificuldade tremenda com radiologia. E esta especialidade é muito importante porque são estes profissionais que fazem laudos de ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada. Eles definem diagnósticos e cirurgias. Todas as especialidades dependem destes exames, justifica a presidente do conselho de secretários da Assiscop, Giorgia Luchese.
A opinião de Giorgia é compartilhada pelo secretário de Saúde de Laranjeiras do Sul, Valdemir Scarpari. Ele acrescenta outras especialidades em que Laranjeiras é carente: oftalmologia, otorrinolaringologia e dermatologia. Até deixo uma sugestão: médicos recém formados que fizeram clínica geral que se especializem em algumas dessas áreas que terão um futuro brilhante, recomenda.
Em Laranjeiras do Sul, por exemplo, há apenas dois oftalmologistas, que atendem quinzenalmente. A secretaria de Saúde disponibiliza gratuitamente na Assiscop consultas para oftalmologia, mas são muito poucas. O doutor Marcos está com um número muito grande de pacientes, ressalta Scarpari, lembrando que a Semusa paga meia consulta para os pacientes em consultório particular.
CONSÓRCIO
Mesmo com a força do consórcio Assiscop, os municípios de Virmond, Porto Barreiro, Marquinho, Nova Laranjeiras, Rio Bonito do Iguaçu e Laranjeiras do Sul têm dificuldades em atender seus pacientes com médicos especialistas. Psiquiatria é outra especialidade muito importante, mas também não conseguimos profissional. Temos uma dificuldade enorme de encaminhar nossos doentes mentais, porque há poucos especialistas na região, lamenta Giorgia Luchese.
Cardiologia e pediatria também são especialidades onde há dificuldade. Mesmo com altos salário, não há profissionais. Os que atuam na região estão sobrecarregados. Como há poucos, às vezes a sobrecarga de trabalho é maior que a capacidade humana.
Serviço privado paga mais
A maior dificuldade são os encaminhamentos à Guarapuava, Curitiba e Cascavel. O problema é a demora para a consulta acontecer. Quando é urgente, consegue-se em duas ou três semanas. Quando é ambulatorial, demora muito mais. Há profissionais que se formam em grandes instituições públicas, mas acabam indo para o serviço privado, porque ganham mais.
Ficando nos grandes centros também é possível mais acesso aos estudos. Eles não tem incentivo para vir trabalhar no interior. Talvez se as Universidades trabalhassem a formação voltada à saúde pública se resolvesse o problema, acredita Giorgia.
Além dos salários os equipamentos também são problema. Rochele Lorenzi Pol, recém formada em Medicina, filha de laranjeirenses, comenta essa dificuldade. Hoje não conseguiria trabalhar na cidade, porque faço cirurgia cardíaca e para atuar é preciso todo um aparato que atualmente não tem em Laranjeiras, lamenta.



