O interesse pelos cursinhos é justificável, já que o bom desempenho dos
candidatos pode garantir bolsas no Programa Universidade Para Todos
(ProUni). Desde 2004, os estudantes que ingressam no ProUni têm o curso
universitário em faculdade particular custeado integral ou parcialmente
(50%), em troca da isenção de impostos oferecida pelo governo federal às
instituições que optam por aderir ao programa.
Na opinião da mestre em Educação e Conhecimento Eliane Zayons, conselheira
do Conselho Municipal de Educação de Curitiba, a partir do momento em que
os estudantes buscam complementação, não é possível ter uma avaliação
fidedigna das instituições. Se os alunos buscam esses cursos, o resultado
acaba sendo influenciado. Não é possível uma visão global da instituição,
afirma. Zayons não é contra a utilização do resultado do Enem para o
ingresso nas universidades. Vejo esse movimento como positivo. É um
esforço conjunto em busca da qualidade, afirma.
Os coordenadores das instituições que oferecem cursos preparatórios para o
Enem só vêem aspectos positivos na iniciativa. O diretor do cursinho
Evidente, César Frank, defende que fazer um curso preparatório não garante
uma nota maior ou menor. Quem faz o cursinho pode levar mais vantagem não
só no Enem, mas até num vestibular, pois terá mais conhecimento, diz.
Opinião semelhante tem a coordenadora do cursinho para o Enem no grupo
Uninter, Paula Renata Ferreira. O nosso ensino público, infelizmente, não
oferece a interdisciplinaridade cobrada no Enem. Não vejo como prejudicial
um curso que ajude quem estudou numa escola pública a entrar numa
faculdade, diz.



