Futebol: transformando pessoas

O gremista Itor Lacerda de 37 anos não faz distinção entre corinthianos, santistas, flamenguistas e nem mesmo colorados. Frentista de posto de combustível, Itor treina cerca de 60 crianças e adolescentes no campo de futebol ao lado do Posto das Palmeiras, sem qualquer remuneração. Tudo apenas pela satisfação pessoal. Os jogos acontecem há dois anos e meio nas terças, quintas e domingos. Atualmente, seu time conta com 48 meninos e 12 meninas.
Itor sempre gostou de jogar futebol e há muito tempo reunia os amigos no fim de semana para uma ‘pelada’. O campo juntou cada vez mais pessoas e por brincadeira ele começou a treinar os jogadores. Não sei porque comecei a treinar a piazada. Desde pequeno meu sonho foi ser jogador de futebol, mas hoje vejo que sou muito melhor como treinador, justifica.
A Escolinha Palmeiras, como foi batizada, não recebe nenhum recurso ou ajuda permanente. Apenas doações esporádicas. Mesmo assim Itor agradece ao dono do campo que cede o espaço, Honório Minski e à prefeitura de Nova Laranjeiras, que doou uniformes para os jogadores. Mas, o que falta em infraestrutura e material para jogar, sobra em boa vontade e dedicação. Se fosse preciso eu treinaria eles todos os dias. É o que mais me dá prazer na vida, relata.

DENTRO E FORA DE CAMPO
Além de educar para o futebol, o treinador também educa para a vida. Antes do jogo todos sentam-se no campo e Itor indaga a respeito da escola, dos deveres de casa e do relacionamento com os pais. Para estar aqui eles têm que tirar nota boa e se comportar em casa. Se eles aprontam ficam retidos do treino por um tempo. Esse trabalho aqui é muito importante, aqui eles têm esporte, lazer e conselhos. É melhor ficar aqui do que traquinando na rua, quebrando vidro, matando pássaros, como geralmente acontecia, reitera. Eu não trago essa piazada aqui só para jogar bola. Eu influencio na vida deles, da melhor forma que posso, completa.
Ele tem tanto interesse em treinar, que foi à casa das crianças, pedir autorização aos pais. Os pais me agradecem pelo que faço. Todos elogiam o comportamento dos filhos, contam que as notas melhoraram e muitos deixaram de ser desobedientes, orgulha-se Itor.
Além desse trabalho, o treinador busca realizar todos os anos, na Páscoa, uma festa para crianças do bairro. Em 2010 foi feita uma festa no campo para mais de 150 crianças. Foi tudo de bom. Ano passado não fizemos porque não conseguimos dinheiro suficiente. Mas para esta Páscoa já estou correndo atrás. Sei que sozinho não posso fazer nada, mas se cada um ajudar um pouco conseguiremos o que quisermos, afirma.
O pequeno Matheus Henrique Vieira Antunes, de 11 anos, participa da escola de futebol desde o início do projeto. Para ele o melhor de tudo é encontrar os amigos e claro, jogar bola. Itor destaca que nesse período o menino já melhorou muito. Ele era rebelde, e hoje se comporta em casa e tira boas notas. Está até adiantado na escola. E aprendeu a ser mais companheiro, finaliza.