Capacitação no campo ajuda a reduzir riscos de incêndios durante estiagem
Cursos e treinamentos promovidos pelo Sistema FAEP orientam produtores rurais sobre prevenção e combate ao fogo em períodos de seca
Com a proximidade do inverno, o risco de incêndio em áreas rurais aumenta, colocando agricultores e pecuaristas em alerta. A tendência é que a estação seja de temperaturas acima da média no Paraná, principalmente pela influência do El Niño, segundo previsão do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Além de danificar lavouras e florestas e gerar prejuízos econômicos, os incêndios colocam em risco a segurança e a saúde dos produtores rurais e famílias.
“Por isso a importância de estar preparado não apenas para prevenir, mas também para combater o fogo. O perigo maior vai até outubro. É preciso que todos estejam em alerta. Não dá para relaxar”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
O monitoramento das queimadas revela que, mesmo antes da chegada do inverno, a situação de incêndios em 2026 está crítica. Segundo dados da rede colaborativa MapBiomas, entre janeiro e março deste ano, a área queimada no estado atingiu 9.025 hectares, espaço quase 8,5 vezes maior que a área no mesmo período de 2025 (1.073 hectares).
Como explica o meteorologista Samuel Braun, do Simepar, climatologicamente o inverno é o período mais seco, em todo o Paraná. Esse cenário de seca, somado à baixa umidade do ar e às geadas que comumente castigam a vegetação no período, faz crescer a chance de fogo no meio rural. “Os valores médios são mais baixos, chove entre 100 e 200 milímetros. Períodos secos são muito comuns, com vários dias consecutivos sem chuvas. A faixa norte tem registros com mês inteiro sem chuvas”, afirma o meteorologista.
Capacitação e prevenção
Muitas podem ser as causas que dão início aos incêndios no campo, sendo o “fator humano” a principal. Isso reforça a importância de atitudes como manter em dia a manutenção dos equipamentos; limpar e remover materiais secos que acabam entulhados nas propriedades; não usar a queimada na produção (prática já proibida); ter cuidado e atenção nas festividades juninas que se aproximam; e, sempre que necessário, buscar capacitação.
“O incêndio acontece onde a prevenção falha”, pontua Neder Maciel Corso, técnico do Sistema FAEP. Desde 2010, quando foram criados os treinamentos para brigadistas florestais, o Sistema FAEP já capacitou mais de 10 mil pessoas para atuar na prevenção e no combate aos incêndios no campo. Somente neste ano, de janeiro a maio, foram realizados 65 cursos. Desses, 40 foram específicos para brigadistas florestais de usinas do setor sucroenergético, outros 16 atenderam produtores rurais de setores diversos, e nove foram destinados a empresas de base florestal.
Atualmente, o Sistema FAEP oferece quatro diferentes treinamentos com foco em incêndios florestais, todos práticos. “Nossa orientação é que os produtores passem pelo treinamento para entender os conceitos básicos sobre incêndios florestais e saber como prevenir e agir. Quanto mais preparados estiverem, mais rápidas serão a detecção e a mobilização para minimizar os prejuízos”, reforça Corso.
Combate ao fogo
Algumas práticas e estruturas são fundamentais para controle em caso de incêndio, como a aquisição de ferramentas manuais (como enxadas e rastelos), abafadores, bombas costais, caminhões-pipa (no caso de usinas e indústria florestais) e a construção de aceiros nas áreas, que funcionam como uma barreira contra o avanço do fogo.
“Os aceiros são faixas limpas, livres de vegetação, construídas em volta das áreas de lavoura e florestas, que facilitam o acesso de equipamentos para conter o incêndio. Além disso, também é fundamental que os produtores tenham mapeado as áreas de onde podem fazer a captação de água para esse controle”, afirma Corso.
Outro fator que faz com que esse preparo mínimo seja imprescindível para os produtores é a indisponibilidade de unidades do Corpo de Bombeiros em muitos munícipios do estado. “Isso pode retardar as ações de combate, quando o incêndio ainda não atingiu grandes proporções”, aponta o técnico do Sistema FAEP.



