O Instituto Médico Legal (IML) de Guarapuava vive uma das suas piores crises, estrutural e funcional, com viaturas e equipamentos sucateados, como também a falta de profissionais. Segundo informações extraoficiais, obtidas com exclusividade pela central de jornalismo deste impresso, apenas três motoristas prestam serviço de coletas de óbitos em Guarapuava e nas demais cidades que compõem o núcleo de atendimento.
Apenas um motorista faz plantão de 24 horas, caso ocorra uma ocorrência em qualquer cidade da região, os demais atendimentos acabam ficando na fila de espera, disse um servidor, que pediu para que seu nome não fosse citado, temendo represálias.
Os contratos dos atuais servidores que atuam de forma seletiva vencem no próximo dia 31 de agosto. Um novo processo de contratação deverá ser lançado pela secretaria de Segurança do Estado, mas sem prazo ou garantia de trabalho aos atuais servidores.
A unidade de atendimento de óbitos chega a receber de 12 a 15 corpos em finais de semanas e feriados. A forte demanda de serviços está obrigando o instituto a encaminhar alguns óbitos para Ponta Grossa para exames de necropsia e laudos médicos.
Dor da perda e do descaso
A falta de estrutura do IML de Guarapuava está afetando toda região. No dia 30 de julho um trágico acidente na BR 158, em Laranjeiras do Sul, por volta das 22 horas, vitimou Dayane Carla Diniz (26), e sua filha, Maria Eduarda Diniz Sitta (6). Ambas não resistiram aos ferimentos e morreram no local do acidente. Familiares mostraram muita indignação pelo tratamento desumano recebido pelo IML.
É um absurdo minha filha e minha neta serem tratadas da forma como foram. Tiveram que esperar jogadas até às 8 horas da manhã o IML de Guarapuava abrir. Nos entregaram elas 15 horas e as 17 tivemos que sepultar, conta Nena Sampietro, mãe e avó das vítimas, dizendo que se depender dela e da família, ninguém mais vai perder alguém dessa foram desumana.
Vamos começar a brigar para que haja um IML aqui e que as pessoas que forem vítimas de acidente sejam tratadas de forma digna, assim como suas famílias, desabafa.
No último sábado (6), amigos e familiares das vítimas realizaram um ato de homenagem e ao mesmo tempo de protesto. Além das mensagens de carinho às vítimas, dezenas de pessoas se solidarizaram com a ação e participaram da formação do ‘Fórum Permanente pela Paz no Trânsito’.
A intenção é mobilizar e conscientizar cidadãos dos riscos de dirigir alcoolizado, sem CNH e de forma irresponsável, a exemplo de muitas mortes registradas pela região. Os participantes ainda fizeram passeata da praça José Nogueira do Amaral até a delegacia de Laranjeiras do Sul, onde entregaram um documento à Policia Civil um policial civil. Camisetas com os rostos de Dayane e Maria Eduarda foram usadas na marcha.

‘Babá de defunto‘
Este é termo usado num jargão policial utilizado no dia-a-dia, quando policiais civis ou militares são obrigados a ficar resguardando por horas corpos vitimados de homicídios, até a chegada da viatura do IML.
A Associação dos Municípios da Cantuquiriguaçu, o Jornal Correio do Povo e entidades organizadas de Laranjeiras do Sul já há algum tempo reivindicam a implantação de uma unidade do instituto no município, para atender as cidades que integram a Cantuquiriguaçu. Isso resolveria uma serie de transtornos, tornando mais ágil o atendimento neste setor. A nossa reportagem tentou de forma insistente falar com diretores do instituto em Curitiba, onde também fomos tratados com o mesmo descaso, que a população vem sofrendo.



