Impasse deixa comunidade sem água

 

Desde que o atual prefeito
de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Augusto Bovino, assumiu o município, a
comunidade do Centro Novo, no assentamento Marcos Freires, enfrenta um
dilema: a falta de água. É que não houve acordo entre o prefeito e o dono
das terra onde existe a única fonte que abastece a comunidade.


A fonte fica na propriedade
de José Nicanor Dias Batista, popular José Capixaba, candidato a vereador
pelo PT, oposição a atual administração. Antes de eu ser candidato ele
veio aqui até ofertar dinheiro para que eu não concorresse, acusa José
Capixaba, derrotado nas últimas eleições.


Agora, Bovino se recusa a
pagar qualquer valor ao agricultor para que ele forneça água de sua fonte
à comunidade. Até o ano passado, o município pagava R$ 720 mensais para
que Capixaba cedesse água e cuidasse da estrutura que abastece cerca de
mil pessoas, entre famílias, dois colégios, igreja, posto de saúde e
comércio. A água que vem do poço artesiano não é suficiente. Seria
necessário utilizar a água da fonte particular da família. Como não houve
acordo, todos passam necessidade, lamenta o diretor do Colégio Iraci
Salete Stroczak, Emerson Lunelli.


A situação caótica por
enquanto está sendo apaziguada pelo vereador Danilo Ferreira (PT). Ele se
propôs a pagar um salário para que José Capixaba forneça água de sua fonte
por 30 dias. O prazo vence no próximo dia 20 de junho. A responsabilidade
sempre foi do município não tem porque um agricultor bancar esse
abastecimento, opina Danilo.


Gestão passada


Há oito
anos a comunidade utiliza a água da fonte que fica na propriedade de José
Capixaba. Na gestão passada, a prefeitura limpava o bebedouro para que as
40 cabeças de gado da família pudessem beber. Sobrava água na caixa.
Agora não fazem mais essa manutenção porque fomos contra eles nas
eleições. Isso prejudica todo mundo. Se houvesse um acerto, ficaria tudo
como era, afirma Zilma Alves Batista, esposa de José Capixaba.


Sem solução


A
prefeitura tentou solucionar o problema, gastando R$ 4 mil para reinstalar
água em um poço que há dois anos foi abandonado por não ter água
suficiente. Mas isso não deu certo. Colocaram hidrômetros em todos os
consumidores, mas em um dia a água já havia se esgotado. O prefeito tinha
que pensar no povo. São mais de mil crianças que estudam e todos moradores
pegavam água daqui. Ele tinha que ter consciência, revoltou-se José
Capixaba.


Revoltado


O
prefeito Sezar Augusto Bovino diz estar revoltado com a situação. Conforme
ele antes mesmo da instalação da estrutura no Centro Novo, no seu mandato
(gestão 2001/2004), já havia procurado José Capixaba. Ele aceitou que a
água da comunidade saísse dessa propriedade, que na verdade é do Incra.
Fizemos uma fonte protegida, colocamos caixa da água com capacidade para
20 mil litros e enquanto eu era prefeito funcionou muito bem, sem pagar
salário pra ninguém, lembrou Bovino. Mas, depois que o ex-prefeito
assumiu, por conveniência política começou a pagar esse salário. Não é
justo e não vamos pagar.


Conforme o prefeito para resolver a questão foi instalado um sistema
independente, que liga e desliga sozinho. Mas o José Nicanor tirou tudo e
não deixa ninguém ir lá.


Alternativa


Para
resolver a questão Bovino disse que a Justiça deve ser acionada. Se ele
não fornecer a água, que ele concordou em fornecer de graça, terá que
indenizar o município em todo o investimento público que foi feito lá,
alertou. A água não é dele. Temos mais 20 sistemas parecidos nos dois
assentamentos e não pagamos salários pra ninguém. Por que ele tem que
receber?, questionou.