Índios e álcool: problema longe da solução

Ano após ano um grave problema persiste entre os índios de Nova
Laranjeiras. Mesmo com diversas ações do poder público, o alcoolismo é uma
ferida aberta nas etnias Guarani e Kaingang. Segundo o Estatuto do Indígena
vender ou facilitar bebidas alcoólicas a estes povos é crime. Mas, apesar
disso não se tem notícia de que algum comerciante foi preso na região.
Mesmo assim, não é difícil encontrar índios dormindo embaixo de árvores ou
às margens da BR 277.
Vítimas ou não, a cachaça está presente no
dia-a-dia da reserva Rio das Cobras. Opções não faltam. Quando não
conseguem nos bares das proximidades, dão um jeito de arranjar alguém para
conseguir a bebida. Existem ainda casos extremos, onde eles apelam para o
álcool puro, ou vindo das bombas dos postos de combustíveis.
Na próxima
quinta-feira (09), um seminário em Nova Laranjeiras pode começar a mudar
essa realidade. Com o tema alcoolismo nas comunidades indígenas e não
indígenas, a iniciativa buscará aproximar as ações públicas da comunidade.
Conforme o promotor Fernando Cubas César, da Comarca de Laranjeiras do Sul,
o encontro é uma parceria da comunidade indígena, Ministério Público do
Paraná e a prefeitura de Nova Laranjeiras.
O objetivo é conscientizar
os donos de bares e comércios quanto a venda de bebidas alcoólicas para os
indígenas. O problema é notório e crescente. Buscamos esclarecer o que
isso acarreta e os malefícios que poderiam ser evitados na comunidade,
ressalta.
Segundo o promotor o problema apresenta duas faces. O
primeiro deles para os indígenas considerados inimputável, que não está
inserido no meio social e realmente desconhecem as consequências do álcool.
O outro grupo e maiores adeptos são os que já mesclaram sua cultura aos
brancos. É uma questão social e não se resolve de um dia para a noite. Por
isso vale o alerta para quem vende bebidas. Como é difícil identificar um
padrão, o crime vai depender de cada circunstância. Não tem como
especificar uma regra geral, esclarece.
Cubas destacou que o seminário
é o início de uma política a longo prazo. A ideia é realizar um trabalho
junto com uma equipe do Ministério Público de Cascavel, com apoio
assistencial e psicológico. O promotor destacou a importância do encontro,
vendo a possibilidade de começar a mudar a realidade dos indígenas do Rio
das Cobras. Conforme ele, a curto prazo nada pode ser feito. Vamos
estabelecer as diretrizes e os planos de atuação conjunta. A
responsabilidade não é só do Ministério Público, mas sim de todos,
completa.

VENDA DE ARTESANATO
Outro problema que ainda não teve
solução são as viagens para a venda de artesanato, principalmente à
Cascavel. Há cerca de 20 dias, uma família de indígenas de Nova Laranjeiras
foi fotografada nas proximidades da rodoviária daquela cidade. Além do
casal, quatro crianças pequenas, muita bagagem e uma garrafa plástica com
pinga também estavam juntas. Naquele momento começa a chover e agravava
ainda mais a situação.
Desde o ano passado, uma orientação do Poder
Judiciário, Comarca e Vara da Infância de Cascavel obriga os motoristas a
pedir documentação, acompanhantes e  autorização do cacique de Rio das
Cobras para viajar de ônibus. A medida visa evitar situações de risco.
Muitas das crianças deixam a escola e vão até a cidade para vender
artesanato e pedir esmolas.
Conforme Terezinha Gurtat, chefe da agência
da Princesa dos Campos em Laranjeiras do Sul, a medida está sendo seguida,
mas não é suficiente para evitar que os indígenas cheguem até Cascavel. Se
estiver sozinha não vendemos. Mas na companhia dos pais sim. Não há como
conter, declara.