As aulas de reforço na Escola Municipal Professor Conrado de Oliveira são ministradas pela professora Suzana das Graças Amaro. Ela é deficiente visual e não enxerga desde que nasceu, mas isso não impediu que seu sonho de ser professora se tornasse realidade. Foi superando preconceitos e dificuldades que hoje dá aula de reforço de matemática e português para crianças que podem enxergar. Não foi fácil chegar aqui. Inclusão é só na teoria, pois na prática é bem diferente. Me falaram pra desistir. A direção afirmou que não sabia o que fazer comigo. Mas eu não ia desistir. Eu passei no PSS e era um direito meu, conta Suzana.
Depois de muita insistência, a professora começou a ministrar as aulas de reforço para crianças de sete e oito anos. Sem auxiliar, as aulas foram difíceis no começo. Mas depois, com materiais adaptados e com ajuda, Suzana afirma que está gostando muito. Hoje a receptividade está muito boa. Eles têm umahora de aula e daí, quando chega a hora de ir embora, eles dizem que querem ficar ali, afirma.
Com 27 anos, Suzana já tentou empregos em diversas empresas, mas sempre ouviu não. Hoje, ela está no último ano do curso a distância de Pedagogia e ministra aulas de braile na Associação de Pais e Amigos de Deficientes Visuais (Apadevi), onde também é diretora. Seu sonho é continuar estudando e trabalhando Quero fazer uma pós-graduação na área de educação para aprender cada vez mais, conta.
História
Suzana nasceu prematura e teve que passar um tempo na incubadora. Quando os médicos foram dar o banho de luz, se esqueceram de vendar os olhos, o que acabou a cegando para sempre. A mãe, Alair do Belém Amaro, conta que na primeira vez que tentou colocar Suzana na escola a diretora se negou a fazer a matrícula. Eu falei que queria desistir, que não ia mais atrás. Mas a professora de ensino especial dela me disse que eu não podia desistir nunca. Ela foi comigo e a diretora disse que não ia aceitar, levamos pro núcleo e obrigaram a fazer matrícula, conta dona Alair.
O apoio da família na superação de barreiras foi fundamental. Dona Alair afirma que muitos familiares de deficientes visuais vêm pedir dicas e apoio à família. Quando teve o problema pra ela dar aula ali eu já pensei: Meu Deus, não vai acabar nunca o preconceito. Desde o 1° ano, pré, e ainda estamos lutando e vamos lutar mais. Tem que ser assim, afirma.
Suzana espera que sua história sirva de exemplo a outros deficientes visuais que devem correr atrás do seu sonho. Eu ouvi muitas vezes não. Mas não pode desistir. Se as pessoas que enxergam tem que provar a capacidade, nós temos que provar 10 vezes mais, conclui.



