A população de Laranjeiras do Sul reagiu contrária ao projeto de lei que altera o número de vereadores para as próximas eleições. Quase um mês depois do parecer favorável à tramitação na Câmara, a proposta que eleva para 13 cadeiras está sendo vista com desconfiança pela sociedade local.
O presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná, José Lúcio Glomb, em entrevista ao Jornal Correio revelou a posição da entidade em relação ao assunto. Segundo ele, aumentar o número de vereadores não é sinônimo de representatividade. Na sua avaliação o que falta é qualidade e preparo dos parlamentares. Sabemos o quanto isso custa. Os recursos poderiam ser muito melhor empregados em outras áreas como a saúde, a educação e a segurança pública. Nossa posição é absolutamente contrária, enfatizou.
Glomb explicou que a emenda não estabeleceu uma obrigatoriedade, mas sim um limite máximo representantes. Segundo ele, isso parece não ter sido entendido pelas câmaras. Embora tenha um patamar, não há necessidade de atingi-lo. Tínhamos que começar a pensar ao contrário e restringir o número de parlamentares. A questão é de qualidade, ressaltou.
José Lúcio acredita que se fosse realizada uma enquete nacional sobre o assunto, a posição seria amplamente contrária. Convicto, ele disse que propõe um desafio aos que entendem ao contrário. Todo poder emana do povo, e os representantes devem atender a necessidade daqueles que os elegeram. A população deve fazer uma pressão, completou.
O presidente da subseção da OAB em Laranjeiras do Sul, Almir Machado de Oliveira também se mostrou contrário ao aumento. De acordo com ele, a elevação não é necessária e por questões econômicas e racionais seria melhor para a cidade, manter o número de vereadores. Não estamos condenando nenhum dos atuais legisladores, mas entendemos que a manutenção das cadeiras servirá para que tenhamos menor número de candidatos. A OAB não aprova o aumento, finalizou.
A OPINIÃO
DO VEREADORES
Conforme o vereador e líder do governo municipal na Câmara, Junior Gurtat, a questão financeira é o ponto divergente do projeto. No seu entendimento, com 13 cadeiras o município terá maior representatividade. Porém, caso seja considerada a questão econômica, é melhor deixar a situação como está.
Para o presidente da Câmara, Assis Amarante, os atuais vereadores servirão de cobaias para a regulamentação. Conforme ele, existe uma reforma política que tem que ser aprovada até dia 30 de setembro. Por isso, a situação deveria permanecer como está. Sei que vai ser uma polêmica muito grande. Tem muitos interessados, líderes políticos que não concordam com a atual condição e querem que sejam 13 vereadores, ressaltou.
Com a mudança, a coligação na proporcional deixará de existir, ficando eleitos apenas os vereadores, de fato, mais votados. O presidente disse estar ciente das críticas de parte da opinião pública, mas defende que o lado da representatividade também seja considerado.
MANIFESTAÇÃO PÚBLICA
A Associação Comercial e Empresarial de Laranjeiras do Sul, realizará nesta quinta-feira (04) um debate com entidades e a população para também discutir o assunto. De acordo com o presidente Gizélio Linhares, todo gasto público é uma preocupação da Acils. Ele revelou que depois de várias enquetes apontarem o descontentamento da população em relação ao aumento, a Associação foi instigada a também analisar se o acréscimo é realmente necessário.
Segundo Linhares o aumento ao cofres públicos será de no mínimo R$ 16 mil por mês. A Acils acredita que com nove vereadores há representatividade e mais legisladores não traria nenhum benefício. Se há esse recurso sobrando, ao invés de aumentar os vereadores, podem estar devolvendo ao Executivo para que ele contrate mais médicos e professores. Poderia também criar a secretaria de Indústria e Comércio que é uma necessidade, ressaltou. Depois do encontro de amanhã, a Acils se posicionará sobre o assunto. A população tem que se preocupar com qualidade e não quantidade. Eu vejo que o gasto público não justifica o benefício que eles irão gerar, finalizou.



