Obras por todos os lados

As expectativas para o setor da construção civil para 2012 não poderiam ser melhores. No ano passado, o setor apresentou crescimento entre 4% e 5% e, para os especialistas, o feito se repetiria neste ano. E foi isto o que aconteceu.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná registrou a maior alta no custo da construção civil, num total de 2,49%. Segundo a pesquisa, o Estado paga o segundo salário mais alto do país, ficando atrás apenas de São Paulo. Entretanto, o aumento varia de acordo com a região, indo de 10% a 12%. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Cascavel (Sintrivel), os profissionais da área no Paraná passaram a receber 35% a mais de salário. Isto corrigiu o valor que estava defasado há muito tempo. Além disso, o sindicato garante que a situação não interfere no preço dos imóveis.
Em Laranjeiras do Sul, por todos os lados é possível ver novas obras se erguendo. O mestre de obras Neri  José Andrade de Souza trabalha há 36 anos na área e conta que já estava se aposentando. Mas, devido a grande demanda, resolveu continuar no emprego. Atualmente, ele toca uma obra de 500 metros quadrados, com mais oito pedreiros. Neri confirma que a área cresceu muito em toda a região e vem se tornando cada vez mais competitiva. De uns anos para cá, os homens começaram a se interessar por este ramo e se especializaram, isto acabou barateando a mão de obra, mas, mesmo assim, é um trabalho rentável, mais que nos anos passados.
Neri ressalta que algumas inovações tornaram o trabalho nas obras menos pesado, como o gesso, o isopor para lajes e, até mesmo, o cal fino hidratado, que antigamente era bruto e precisava ser queimado e desintegrado.
Para o pedreiro Antônio Celso de Souza, que há 31 anos atua na área, a valorização tem aumentado a cada ano. Faz cinco anos que eu não preciso sair de Laranjeiras para trabalhar. Já tive que ir para São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, porque aqui não conseguia emprego. Hoje ganho bem mais e estou perto da minha família, enfatiza.
Antônio faz parte da cooperativa de trabalho Coopercon Lar. Segundo ele, só pela cooperativa, 10 obras estão em andamento atualmente.
Como causa para este crescimento é apontado o aumento do financiamento imobiliário. Programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, também têm sua parcela de responsabilidade. Desde o início de 2012 até 2014 está previsto que ele seja o responsável por 2 milhões de construções. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal também impulsiona o setor, assim como os preparativos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil, que fazem diferença nacionalmente.
A construção civil tem extensa cadeia produtiva, que corresponde a 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Também tem uma grande capacidade de absorção de mão de obra e de gerar renda. Com isso, movimenta a economia das pequenas cidades e, consequentemente, do país. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor conta com mais de 160 mil estabelecimentos formais em todo o Brasil, quase 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Ainda segundo dados da CBIC, a receita líquida da indústria da construção subiu de R$ 124 milhões, em 2007, R$ 245 milhões, em 2010. Outro dado que mostra o crescimento do setor é o número de empresas ativas, que passou de 52 mil para 79 mil em três anos.
O segmento tem sido apontado como um dos mais seguros para investir, com garantias de lucratividade.