Pesquisa revela qualidade ambiental urbana de Laranjeiras

O estudo a partir de um ponto considerado falho nas aulas de Geografia – a
Cartografia – resultou em uma pesquisa inédita na história de Laranjeiras
do Sul: o levantamento da qualidade ambiental urbana.
O trabalho foi desenvolvido pelo professor Osnélio Vailati, integrante do
Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE) e deverá ser apresentado na
Câmara de Laranjeiras do Sul como sugestão para criação de projeto de área
de preservação permanente. Eu queria melhorar em algo que pensava ser o
meu ponto fraco e mostrar que é possível se utilizar da Cartografia para
desenvolver um trabalho crítico, conta.
O trabalho contou com a orientação da professora doutoranda Marquiana de
Freitas Vilas Boas Gomes, da Unicentro, e apontou dados de Laranjeiras do
Sul referentes ao abastecimento de água pela rede geral; esgotamento
sanitário pela rede geral; coleta de lixo pelo serviço de limpeza pública,
ocorrência de domicílios improvisados e a presença de áreas verdes
urbanas.
Osnélio utilizou imagens de satélite fornecidas pelo Google Earth e o
programa SPRING do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Através deles, foi possível localizar e calcular as áreas verdes da cidade
(único dado não fornecido pelo IBGE). A tarefa foi bastante trabalhosa
para saber os setores e bairros que atendem aos 12 m² de área verde por
habitante, índice mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde
(OMS), explica.
Má distribuição de áreas verdes
A pesquisa do professor Osnélio Vailati apontou que as áreas verdes de
Laranjeiras do Sul encontram-se mal distribuídas. Em alguns setores, o
percentual encontrado é muito superior aos 12 m² por habitante, como o
bairro Jaboticabal (776 m² por habitante). Já em outros locais, como as
proximidades do Bancário, as áreas verdes praticamente inexistem (0%). É
preocupante o fato de que muitos moradores estão retirando as árvores das
calçadas, as quais não contam para o cálculo das áreas verdes, mas que
tornam qualquer cidade mais bela e ambientalmente mais agradável,
defende.
Avaliação
A pesquisa do professor Osnélio fez uma análise da correspondência entre a
qualidade ambiental urbana e a faixa de renda dos moradores. Ficou
comprovado o que os livros de Geografia afirmam: a população mais pobre é
segregada às áreas periféricas. A expansão do sistema de tratamento de
esgoto também é outro fator preocupante. O bairro Água Verde, por
exemplo, ainda não conta com o serviço e as condições de declividade
daquele bairro contribuem para a contaminação de arroios que fazem parte
da bacia do rio Leão, afirma o professor.
A investigação demonstrou ainda a importância da Cartografia para a
aprendizagem geográfica e para a análise do ambiente urbano. Também
mostrou que as cidades pequenas não estão livres dos problemas ambientais,
apesar da famosa frase: cidades maiores, problemas maiores.

Participação de estudantes
Para desenvolver a pesquisa, o professor Osnélio contou com a participação
de 96 alunos do Colégio Estadual Floriano Peixoto. Após a tabulação de
dados obtidos através do Censo IBGE/2000, os próprios estudantes
construíram gráficos e mapas temáticos analisando os dados levantados.
Além de identificar problemas, a pesquisa também colabora com a educação
ambiental em uma realidade concreta, ao mesmo tempo que ajuda a construir
a cidadania, afirma a orientadora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes.
O próximo passo é a partir da identificação dos problemas, buscar
alternativas junto ao poder publico e à sociedade, indica.
A pesquisa desenvolvida utilizou a metodologia do PNUD (ONU) para o
cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e varia entre 0 e 1,
sendo a situação ideal 1,000. O professor aguarda a realização e
divulgação do Censo 2010 para junto com os alunos atualizar os dados de
Laranjeiras do Sul.

Qualidade ambiental
A classificação dos bairros quanto à qualidade ambiental urbana ficou
assim:
Quadro urbano total: 0,783
1. Bairro Centro: 0,821
2. Bairro Cristo Rei: 0,787
3. Bairro São Francisco: 0,772
4. Bairro Água Verde: 0,748
5. Bairro Vila Industrial: 0,724
6. Bairro Presidente Vargas: 0,691
7. Bairro Panorama: 0,652

Livro
A pesquisa com o título Cidade e qualidade ambiental: da apresentação à
intimidade por meio da lente cartográfica virou capítulo do livro
Linguagens e Metodologias para o ensino de Geografia: reflexões para uma
prática transformadora desenvolvido pelos professores de Geografia
participantes do PDE vinculados à Unicentro.