Pesquisas realizadas na única caverna vulcânica do Brasil

No início de agosto, acadêmicos de geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) realizaram uma visita à caverna Casa de Pedra, localizada em uma propriedade rural, no município de Palmital. O local é conhecido há 60 anos pelo proprietário da área, Basílio Burei, e os moradores da região. Porém, ninguém imaginava a importância dela para e geografia nacional.
O secretário de Meio Ambiente e Turismo de Palmital, Miguel Burei Sobrinho, que é sobrinho de Basílio, é um dos maiores entusiastas das pesquisas acerca da Casa de Pedra. Ele a classificou como caverna de topo, pois fica a 752 metros acima do nível do mar, no Vale do Rio Cantu.
A professora da Unicentro e doutora em geografia, Gisele Pietrobelli, e os professores doutores em geologia Breno Waichel e Edson Tomazolli, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), confirmaram a caverna como sendo um tubo de lavas bem preservado, algo raríssimo em regiões onde não há atividade vulcânica.
Esta é a única caverna vulcânica reconhecida em todo o país. Além disso, possui outra peculiaridade. Ela fica no topo de uma encosta em rocha basáltica, algo nunca antes noticiado no Brasil inteiro. Os pesquisadores, para conhecer cavernas de basalto, tinham que sair do país.
Um grupo foi organizado para estudar o local. Além da professora Gisele, participam acadêmicos de geográfica da Unicentro, o acadêmico de ciências biológicas das Faculdades Guairacá, André Michalezyszyn, professores de geologia e pós-graduandos em geografia da UFSC.
A pesquisa da atividade biológica da caverna faz parte do trabalho de conclusão de curso de André. Os outros envolvidos no grupo pesquisam a gênese do local, ou seja, as feições internas e a análise química.

Tubos de lava

Esta caverna teve sua origem há cerca de 130 milhões de anos, no Período Mesozoico, quando ocorreram derrames na Bacia do Paraná. Para os estudos físicos, a descoberta é fundamental e pode trazer muitas respostas e novas dúvidas. Até então, acreditava-se que não havia acontecido atividade vulcânica mais característica no terceiro planalto.
Os chamados tubos eram canais por onde escoava lava. A parte de cima do rio resfriava, endurecendo. Assim era formado um tubo de vidro vulcânico, enquanto por dentro a lava ainda escorria. As paredes, aos poucos, iam se esfriando e petrificando. O duto principal tem quase 40 metros de extensão.
Quando não ocorre a destruição natural do tubo, como é comum, é provável que se encontre adornos como estalactites, prateleiras, pingadeiras do diabo, digitações, geodos de cristais de quartzo, marcas de fluxos, entre outras.
Muitos destes aspectos se perderam com o tempo, inclusive devido a presença de animais domesticados. Atualmente, morcegos artrópodes e insetos habitam o local, incluindo seus predadores, como roedores e serpentes que aparecem de vez em quando. Os pesquisadores também acreditam que humanos tenham vivido no local há muito tempo.
Durante os vários estudos que já foram feitos, detectou-se que o chão da caverna é oco. Portanto, acredita-se que haja outras cavernas por baixo daquela, possivelmente muito maiores que a primeira.

Próximos Passos
No início, criou-se o projeto Casa de Pedra para estudar a descoberta. Porém, como foram encontradas seis entradas para duas cavidades em meio a um paredão, batizaram o projeto de Casas de Pedra.
As expectativas agora são muitas. Os pesquisadores pretendem mapear todas as feições da caverna e torná-la um patrimônio, para que fique protegida e preservada, da mesma forma que acontece com as cavernas carbonáticas e seus espeleotemas
Para garantir a preservação, foram proibidas visitas sem acompanhamento. Além disso, há perigos para os visitantes, como ataques de animais peçonhentos e descolamento de rochas no teto da caverna. Atitudes como retirar pedaços de geodos e fragmentos de rocha para serem guardados como souvernis também levaram a proibição.
*Colaboração: Welington Barbosa da Silva