Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) colocaram
atrás
das grades uma quadrilha de quase uma centena de pessoas acusadas de
usarem
o sistema da Brasil Telecom para anular ou diminuir em até 95% o valor
das
contas telefônicas de residências e empresas nos estados do Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. Cerca de duzentos policiais civis
deflagraram às seis horas da manhã de ontem (terça-feira 4), a operação
Espectro para cumprir 73 mandados de prisão e busca e apreensão,
expedidos
pelo juiz da VIP, Pedro Luis Sanson Corat, nos três estados do Sul do
país.
A polícia estima que a quadrilha gerou prejuízos de mais de R$ 7,5
milhões
para a Brasil Telecom.
Um trabalho extremamente profissional, com uso das mais modernas
técnicas
de inteligência policial realizado pelos policiais do Cope, que prova
mais
uma vez que o uso da tecnologia no trabalho de investigação só faz com
que
a sociedade ganhe com isso disse o secretário da Segurança Pública do
Paraná, Luiz Fernando Delazari.
Fraudes
Dentre as fraudes cometidas estão alteração de cadastros, retirada de
bloqueio de clientes inadimplentes, e principalmente, retificação
indevida
de faturas reduzindo os valores originais em até 95%. A quadrilha era
composta por Vandré de Oliveira Araújo, acusado de ser o mentor do grupo,
nove co-autores, funcionários da empresa e centenas de beneficiários.
Essa é a primeira etapa da Operação Espectro. Futuramente haverão outros
desdobramentos que serão investigados. Essa fraude só foi possível devido
ao grande conhecimento de Vandré de Oliveira Araújo, que já trabalhou em
uma empresa que prestava serviços para a Brasil Telecom, explicou o
delegado chefe do Cope, Miguel Stadler.
O esquema estava sendo investigado pelo Cope desde dezembro de 2007,
quando o Centro de Operações foi procurado pela Brasil Telecom que
detectou a fraude. Todas as fraudes eram possíveis graças a funcionários
da Brasil Telecom que o próprio Vandré e pessoas de sua confiança
aliciavam. Eles recebiam uma espécie de aluguel semanal de suas senhas
de
acesso e de segurança do sistema da empresa, explica Francisco Alberto
Caricati, delegado-chefe da Subdivisão de Operações do Cope, que comandou
as investigações.
Beneficiados
Os beneficiários com o golpe da quadrilha pagavam 50% do valor devido
para
os aliciadores, que repassavam na maioria das vezes a metade deste valor
para Vandré. Essa quantia era negociada entre o mentor e as pessoas de
confiança.
Segundo policiais, a quadrilha funcionava há cerca de cinco anos e foi
iniciada por Jeanete Zilli, ex-funcionária da Brasil Telecom que já
faleceu. O delegado Caricati afirma que foi ela quem passou todas as
informações para que Vandré iniciasse sua trajetória criminosa em sua
própria residência, que segundo a polícia, funcionava como um verdadeiro
call-center.
Prisões
Participaram do cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão
no Paraná, policiais de Ponta Grossa, Paranaguá, Divisão da Capital,
Divisão Especializada, Delegacia de Furtos e Roubos e Estelionato. Em
Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, colaboraram policiais do
Departamento de Investigações Criminais.
Dentre as 59 pessoas presas até às 17 horas da última terça (4), 31 eram
de Curitiba,
sete da Região Metropolitana, nove do interior do Paraná e nove de Santa
Catarina. Vandré de Oliveira Araújo, acusado de ser o mentor da
quadrilha,
foi detido em sua residência no bairro Boqueirão, por volta das 6h15 e
não
reagiu. No local foram encontrados documentos, comprovantes de pagamento,
dois notebooks, memórias de computador e papéis com números de
telefone.
Além de Vandré, foram presas oito pessoas acusadas de serem co-autores da
fraude, oito acusados de serem partícipes (funcionários da Brasil Telecom
e aliciadores dos funcionários) e quarenta e três beneficiários. Também
foi encontrada uma central telefônica clandestina no bairro Santa
Cândida.
Todos os detidos foram encaminhados para o Centro de Operações Policiais
Especiais onde serão interrogados. Eles serão acusados de estelionato e
formação de quadrilha.



