Cansados e apavorados com o alto índice de assaltos no município, comerciantes de Palmital decidiram protestar fechando as portas do comércio por uma hora na manhã de segunda-feira (26).
O manifesto foi organizado pela Associação Comercial e Industrial de Palmital (ACIP) e teve uma adesão de mais de 90% do comércio, conforme o presidente Valdair Moreira de Oliveira. Mais de 300 pessoas clamavam por mais segurança. A cidade esta à beira do caos. Há mais de oito meses vem acontecendo os mais diversos tipos de assaltos, roubos à mão armada e assaltos à residências durante a madrugada.
Isso quando não são as casas invadidas por bandidos encapuzados que amarram suas vítimas para roubar. A participação da maioria dos comerciantes no manifesto demonstra a preocupação da população com a segurança. O clima é de medo. O cidadão não sabe a quem recorrer, lamenta.
A infra-estrutura de segurança no município é muito pequena. São apenas seis policiais militares, que trabalham em um regime de 48 por 48 horas. Na Polícia Civil, há apenas o delegado e um escrivão. Segundo o sargento Hartmann, responsável pelo comando do destacamento, seria necessário pelo menos mais três policiais para fazer um regime de 24 por 24 horas. Lembrando que Palmital é um pelotão, o que significa que deveria ter 15 policiais. Os assaltos praticados no município têm característica de quadrilha organizada uma vez que tem conhecimento técnico para desativar sistemas de segurança, avaliou o sargento.
REPRESENTATIVIDADE
O presidente da Central das Associações dos Agricultores Familiares e Trabalhadores Rurais do município de Palmital (Capral), João Luiz de Castro, cobrou a presença do poder público no evento. Não vejo ninguém do Executivo aqui. Os vereadores, onde ando só vejo quatro. Nem o presidente do Conselho de Segurança apareceu. Será que não sabia do manifesto?, questionou. Talvez seja essa a importância que dê para a segurança no município, lamentou.
O vigário Gilson José Denbinski, disse que está muito preocupado com a onda de assalto em Palmital e que o manifesto demonstra a gravidade da situação. O padre citou uma frase do líder religioso Martin Luther King. O que me preocupa não é o grito dos maus. Mas sim o silêncio dos bons, pedindo mais atitude das autoridades constituídas.
PREOCUPANTE
A equipe de reportagem do Jornal Correio procurou o presidente do Conselho de Segurança, vereador Antonio Machado de Jesus (Machadinho). Ele disse que só não participou do evento porque não foi convidado oficialmente. Nem o Conselho nem a Prefeitura recebeu um ofício convidando para o evento. Entendo que a Associação tem o direito de fazer manifestos dessa natureza nesse momento difícil que passa nosso município, comenta.
Segundo Machadinho em sua última visita à Curitiba encaminhou solicitação na secretaria de Segurança pedindo aumento do efetivo policial. Buscamos uma solução para o problema. No ofício solicitamos mais 10 policiais militares, duas viaturas e cinco policiais civis, conta.
Para o prefeito Clério Benildo Back, o município tem feito o que pode para contribuir com a segurança, disponibilizando recurso mensal para o Conselho de Segurança. Segundo ele, assim que a praça for reurbanizada serão instaladas as câmeras de segurança que estarão ligadas nos monitores da Polícia Militar. Também haverá câmeras nas entradas da cidade. Sei que temos um efetivo pequeno no município o que torna o policiamento preventivo bastante difícil. Mas infelizmente temos convivido com alguns assaltos estranhos que ocorrem em sua maioria em estabelecimentos que dispõem de monitoramento o que nos deixa bastante apreensivo, comenta Clério.
O agricultor Setembrino Antonieto, 59 anos, foi assaltado três vezes, uma delas à mão armada. Cada vez que saio fico preocupado em deixar a propriedade sozinha. Mas nada se compara a vez que apontaram uma arma pra mim de cara limpa. Foi aí que resolvi mudar pra cidade, buscando mais segurança. Infelizmente vivemos hoje esse clima de insegurança, lamenta.
Já o aposentado Pedro Moreno do Nascimento, 76 anos, residente na Vila Palmeirinha, ao chegar a casa no último sábado (dia 24), deparou com a porta arrombada. Levaram tudo! O pouco que eu tinha, de botijão de gás pra cima. É uma sensação muito ruim, conta emocionado.
O comerciante João Sartori que teve sua loja roubada na última semana lembra ainda aborrecido de chegar e deparar com a porta arrombada. É uma sensação horrível, primeiro vem uma revolta, aquela vontade de abandonar tudo. Não é só prejuízo que nos entristece. O pior é a sensação de impotência. Além de mais de 82 pares de sapatos, foram levados cerca de 40 calças jeans masculinas e mais de 90 femininas, lingerie, blusas e roupas infantis que segundo Sartori, dariam para iniciar uma loja.



