Para quem acha que as teorias estatísticas e matemáticas não passam de disciplinas acadêmicas, um professor de Estratégia e Marketing prova o contrário. Paulo Sergio Syritiuk, docente na Universidade Estadual do Centro Oeste – Unicentro, está aplicando um modelo estatístico chamado análise de regressão também na política.
Segundo ele, o estudo comprova variáveis que tendenciam para determinado evento. Por exemplo: porque determinados tipos de consumidores compram determinado tipo de produto? Segundo ele, existem variáveis – financeiras, econômicas, cultural, preferências – que determinam sucesso ou insucesso de determinado produto.
Esta mesma teoria pode ser aplicada na política. Quando um candidato terá uma performance adequada no pleito? Se ele tiver as variáveis intervenientes que condicionem sua imagem junto ao público eleitor, provavelmente haverá sucesso na eleição. Se essas variáveis não condicionarem ou forem mal usadas, provavelmente haverá insucesso na eleição.
No caso da eleição do Paraná, o professor Paulo Sérgio Syritiuk aplica esse modelo para avaliar a performance dos candidatos Beto Richa e Osmar Dias. Na eleição do Paraná, Syritiuk observa que no caso do candidato Osmar Dias, há cinco grandes favoráveis intervenientes que vão levar junto com sua imagem, ao sucesso na cabeça do eleitor.
PRIMEIRA VARIÁVEL
Segundo o professor, a primeira grande (hipótese) variável é a estrutura financeira. Todos nós sabemos que em política é preciso recursos financeiros. E a coligação do candidato Osmar Dias apresenta uma estrutura financeira – disponível na prestação de contas feitas ao TRE – que prova a existência de um aporte financeiro favorável, que possibilita as outras estruturas, afirma.
SEGUNDA VARIÁVEL
A segunda variável favorável são as alianças do senador. Há uma estrutura partidária com uma permeabilidade muito grande. Nesta variável há dois grandes partidos: o PMDB, que em qualquer lugar do Paraná se encontra um escritório e também tem o PT, com grande militância. E tem o PDT, em menor escala. Então essa variável da estrutura partidária indica que se bem usada pode acarretar no sucesso do pleito, lista.
TERCEIRA VARIÁVEL
A terceira variável é a estrutura administrativa. Não dá para esquecer que no caso do candidato Osmar Dias, ele tem uma estrutura em nível de estado em função da rede de partidos e rede de instituições – instrumentos do Estado que estão favoráveis a sua campanha. Essa estrutura administrativa que ele possui, sinaliza para a sua eleição.
QUARTA VARIÁVEL
A quarta variável, Syritiuk considera de extrema importância. Quando eu olho os dois principais candidatos e pergunto à população paranaense: qual deles tem a cara do Paraná e a imagem dos paranaenses? No inconsciente coletivo das massas, Osmar Dias em função de estar há mais tempo na política, traz no inconsciente coletivo a imagem do Paraná e o jeitão do Estado, defende. Para ele, o outro candidato, Beto Richa, tem boa representação, mas localizada na região curitibana e a leste do Paraná.
QUINTA VARIÁVEL
A quinta variável, conforme o professor, está sendo motivo da virada nas pesquisas. É o apoio do governo federal, do presidente Lula e a vinculação à imagem da Dilma. Ou seja: ele tem o maior cabo eleitoral do país. Por essa razão eu acredito que se ele conseguir ligar essas cinco variáveis na cabeça do eleitor, provavelmente existe uma grande tendência e probabilidade de Osmar Dias obter sucesso no pleito, acredita.
Por outro lado, o candidato Beto Richa também possui variáveis interessantes. Uma delas é sua competência administrativa. Ninguém questiona isso em Curitiba e região metropolitana. Porém, ele já não tem uma estrutura partidária muito grande. E ele tem um problema, pois quando faz a coligação, sai de um racha. Então se comparar análise de tendência com esse modelo que analiso, há uma grande tendência do senador Osmar Dias ser eleito governador do Paraná, conclui.
O que dizem as pesquisas?
Na análise de pesquisas, Syritiuk recomenda avaliar o efeito recenticidade. Desta forma, analisa que quando foram definidas as coligações em 30 de junho, o senador Osmar Dias demorou a definir a sua candidatura, enquanto que o prefeito de Curitiba estava fazendo todo um trabalho político no interior do Paraná. Quando se pega o resultado do senador Osmar Dias, é o mesmo que ele já vinha obtendo. E o Beto passa a ter um salto quantitativo muito grande, reflexo do que ele já vinha fazendo mesmo como pré-candidato e as pesquisas mediram isso em um primeiro momento, avalia. No segundo momento, as pesquisas mediram a formação da estrutura de campanha. O PSDB montou sua estrutura muito mais rápido, pois tinha uma coligação menor, destaca.
A análise do professor comprova o resultado das últimas pesquisas. Em uma delas, do Ibope/Datafolha – se vê que o candidato Beto Richa para de crescer em 50% e o candidato Osmar para de cair em 34%. E nessa última pesquisa já dá pra perceber o efeito Lula e o efeito da mudança do programa, lembra.
Outro critério a ser analisado é a margem de erro. Para Syritiuk, tudo depende de como se faz a amostragem. Se um instituto de pesquisa concentrar sua amostra em Curitiba e região metropolitana vai dar Beto Richa. Mas quando começa a haver equilíbrio na amostragem, os números mudam.
A última Pesquisa Datafolha sobre a disputa ao governo do Paraná foi divulgada dia 16 de setembro. Ela mostra que Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) estão em situação de empate técnico. Richa tem 45% das intenções de voto, Dias, 40%. Como a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, Richa pode ter entre 42% e 48%, e Dias, entre 37% e 43%. Em estatística a gente diz que Beto Richa atingiu o ponto de saturação. E o outro começa a subir. Vai chegar um ponto que os dois vão se encontrar. Eu diria que em um prognóstico, quem ganhar a eleição no Paraná ganha com mais ou menos quatro ou cinco pontos de diferença um do outro. Não vai dar mais do que isso, aposta Syritiuk.



