Projeto Educação Sexual pode ser ampliado em 2009

A vergonha foi a principal barreira encontrada pelas instrutoras do projeto
Educação Sexual da secretaria de Saúde de Laranjeiras do Sul. O trabalho,
desenvolvido com adolescentes, começou em agosto e focou alunos do Ensino
Médio e 8ª série do Ensino Fundamental. O trabalho começou a ser feito
após uma pesquisa realizada com mais de 700 adolescentes em parceria com a
secretaria de Saúde, Jornal Correio e o Núcleo Regional de Educação
(NRE).
As enfermeiras foram às escolas e deram mini-palestras sobre o tema. O
principal objetivo é reduzir os índices de gravidez na adolescência e
prevenir doenças sexualmente transmissíveis. Na última semana a
coordenadora do trabalho, enfermeira Edicársia Milhoreto Rinaldi, recebeu
as avaliações de diretores, professores e estudantes. Eles apoiaram,
acharam muitos pontos positivos, disse ela. Mas também nos mostraram os
caminhos para vencer as dificuldades, acrescentou.
Os adolescentes
Sete adolescentes da 2ª série do Ensino Médio do Colégio Gildo Aluísio
Schuck aceitaram contar à redação do Jornal Correio como foi esse
trabalho. Adriano Petchak, de 18 anos, foi o único menino que participou.
Os outros dois candidatos ‘saíram de fininho’ quando souberam do tema da
conversa. Aprendi muita coisa, até acho que esse trabalho deveria ter
começado muito mais cedo. Facilitaria nossa vida, comentou Adriano. Eu
acho que são os adultos que ensinam a gente a ter preconceito. Alguns
superam essa fase, mas a maioria não.
Suelyn Yonara Gab Mori, de 16 anos, embora reservada, mostrou ter uma
relação de segurança, sem restrições com seus pais, o que é muito difícil,
conforme os colegas dela. O constrangimento ainda é tabu. Somos
adolescentes, de uma geração que fala o que pensa, mas ainda tem vergonha
de falar sobre sexualidade, disse ela. Minha mãe conversa sobre tudo
comigo. Ela é rígida, deixou os limites bem claros, mas não deixou de
conversar. Eu gosto disso, revelou.
Sobre as aulas, Sandra Gomes de Amorin, de 16 anos, demonstrou aprovação.
Foi muito positivo. A enfermeira conseguiu passar tudo de uma forma
divertida, na nossa linguagem, informou. Opinião compartilhada por Eliane
Aparecida Mendes. Se ela viesse toda formal e falando palavras difíceis,
talvez a gente não conseguisse se soltar e ou prestar muita atenção,
comparou.
Mais envergonhada, Franciele Fabrício falou pouco. Achei legal. Mas sou
reservada, não gosto de falar sobre esse assunto. Meus pais também não,
comentou. O mesmo ocorreu com Camila Bortoluzzi. Nas aulas não senti
vergonha, achei positivo, necessário. Mas prefiro não falar sobre
isso.
Para 2009
Para o próximo ano o principal objetivo do projeto é o Ambulatório de
atendimento ao adolescente. Com a instalação da Clínica da Mulher e da
Criança pretendemos reservar um dia para atender especificamente os
adolescentes, informou Edicarsia. Segundo ela outra mudança diz respeito
à capacitação das enfermeiras. Estamos tentando viabilizar mais duas
vagas no curso de Educação sexual para adolescentes, dos laboratórios
Shering, que eu fiz no ano passado, disse. Com isso temos certeza que o
trabalho só vai crescer.
Para 2009 também há possibilidade de separar turmas de meninos e meninas,
para um melhor desenvolvimento do trabalho.

Enquetes

Foi um trabalho ótimo, necessário, pois o índice de adolescentes grávidas
vem aumentando. É necessário uma prevenção. Minha sugestão é que o trabalho
seja realizado em turmas fechadas, pois em nosso colégio foi feito com
várias turmas. De repente até pedir as perguntas antes, em bilhetes, dessa
forma eles não terão vergonha, pois ficarão no anonimato. Edna Ruths,
professora.

É um trabalho que vale a pena. Parabenizo pela iniciativa, pela
organização, são ótimos. Talvez seja necessário um pouco mais de preparo
para os profissionais, pois a linguagem tem que ser voltada para os
adolescentes. Termos técnicos não atraem os adolescentes. Adoniram
Chaicovski, diretor da Escola Floriano Peixoto

É muito positivo. Como mãe acredito que esse trabalho só tem a
acrescentar na educação de nossos filhos. Tentamos nos aproximar deles,
mas algumas vezes, em relação aos pais a restrição é maior. Por isso
concordo que eles recebam essa orientação na escola. Foi uma iniciativa
muito boa. Sandra dos Santos, mãe de aluno e professora.