Foi realizado ontem (23) no Cine Teatro Iguassu I Seminário Regional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher.
O evento promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, através da presidente Terezinha Penafiel, com apoio da Assistência Social, contou com a participação do juiz da Comarca de Laranjeiras do Sul, Alberto Moreira Cortes Neto, o promotor Rafael Muzzy Bittencourt, a secretária de Assistência Social Eliza Gemelli da Silva, os delegados Helder Lauria e Fabiano Oliveira, entre outras autoridades.
Assédio, exploração sexual, estupro, tortura, violência psicológica, agressões por parceiros ou familiares, perseguição, feminicídio. Sob diversas formas e intensidades, a violência contra as mulheres é recorrente e presente em muitos países, motivando graves violações de direitos humanos e crimes hediondos.
A persistência das discriminações contra as mulheres revela a necessidade urgente de um profundo olhar sobre suas raízes associado a um maior compromisso para coibir normas que fixam lugares rígidos para mulheres e homens na sociedade e que agem como fortes barreiras para a efetivação de direitos. As desigualdades de gênero estão, ainda, nas raízes de sofrimento físico e mental, violação e morte que atingem bilhões de mulheres de todas as idades, raças, etnias, religiões e culturas.

CULTURA
Nossa cultura, infelizmente ainda retrógrada em muitos campos, permite-nos, muitas vezes, ignorar um problema tão sério e crônico na nossa sociedade.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, só em Laranjeiras do Sul, de 1º de janeiro a 15 de novembro deste ano, foram registrados pela polícia cerca 418 casos de violência contra a mulher, em suas diversas formas.
ÍNDICES
Os índices são alarmantes e têm aumentado anualmente de acordo com as nossas estatísticas. Mas além dos números que nos impressiona é que apenas 33% das ocorrências são registradas e são estatistificadas, se pegarmos por base o número apresentado hoje aqui de janeiro a 15 de novembro deste ano, vamos ter em torno de 1254 casos neste período. É um número que merece um profunda reflexão de toda comunidade, pondera o delegado Helder Lauria.
De acordo com o promotor, Rafael Muzzy Bittencourt, eventos desse nível são muito importantes para se estabelecer um diálogo entre a sociedade, os órgãos de segurança, o Ministério Público e o Judiciário no sentido de se formar uma frente ampla no combate à violência contra a mulher.
O que experimentamos aqui na região em relação à violência contra a mulher é crônico e infelizmente está institucionalizado em razão do machismo cultural que vivemos. Mas felizmente existem mecanismos jurídicos para se combater este mal, mas a luta é árdua e precisa ser enfrentada com coragem e determinação e aqui estamos dando um passo importante para que isso aconteça, sustenta o promotor.
Os números apresentados pelo delegado Fabiano Oliveira, revela dados interessantes.
Tomando por base o perímetro urbano de Laranjeiras do Sul, a estatística aponta no mapa da violência contra a mulher, que o Centro lidera o número de ocorrências, seguido pelos bairros São Francisco e Presidente Vargas.
Na região, a liderança é de Laranjeiras do Sul com 418 casos, seguida por Rio Bonito do Iguaçu com 85, Nova Laranjeiras, 83, Marquinho, 43 e Porto Barreiro com 18 casos. No total na região entre 1º de janeiro a 15 de novembro foram 647 registros de violência contra mulheres. Lembrando que esse total representa apenas 33% dos fatos, pois de acordo com as estatísticas 67% das mulheres sofrem caladas e não denunciam.



