“Quem deve tem que pagar”, afirma Nereu

Numa série de reportagens especiais, Gazeta do Povo e RPCTV, fizeram nesta semana sérias denúncias contra o diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel. Segundo os jornalistas há uma rede de pelo menos 20 apadrinhados de Bibinho que receberam R$ 11,2 milhões da Casa de Leis, no período de janeiro de 2004 a abril de 2009 – vários sem efetivamente trabalhar na Casa.
Ouvido pela reportagem do Jornal Correio do Povo, o deputado Nereu Moura declarou achar importante este tipo de denúncia porque dá possibilidade da  Assembleia corrigir os equívocos e acabar com os abusos. Quem deve tem que pagar o preço. Acho que está na hora de envolver toda a sociedade paranaense nesta investigação. Vamos convocar o Ministério Público, a OAB e demais entidades sérias, para promover uma limpeza geral na Casa.
Nereu alerta porém, para o cuidado na apuração dos fatos. Parte destas denúncias se dá em função do período eleitoral. Essa história de diários secretos não existe pois se eles tiveram acesso é porque estavam a disposição, salientou o deputado.
Nereu apontou que falta de concurso público para contratar servidores para a Casa pode ser a raiz desses abusos. Faz 40 anos que as mesmas pessoas estão administrando a Assembleia, é um convite ao abuso, frisa Nereu.

Entenda o caso
Denominada Diários Secretos a série de reportagens dos veículos afiliados da Rede Globo passaram a semana trazendo documentos e entrevistas sobre o que chamaram de esquema dos funcionários fantasmas da Assembleia. Um dos servidores é o pedreiro João Maria Vosilk que mora em um sobrado na periferia de Curitiba. Ele recebeu da Assembleia R$ 1,3 milhão entre janeiro de 2004 e abril de 2009. De acordo com a matéria, parentes do pedreiro disseram desconhecer qualquer relação dele com os deputados paranaenses. A mulher de Vosilk também recebeu o mesmo valor da Assembleia. Um engenheiro ambiental seria outro servidor com salário milionário. Porém, no período em que recebeu o dinheiro estaria em Santa Catarina. Outro caso seria da agricultora Vanilda Leal, que teria recebido R$ 1,2 milhão em 5 anos, sem nunca ter pisado na Assembleia.
A história levantada pela emissora pode respingar em cheio no deputado Alexandre Curi, primeiro secretário da Assembleia. Este cargo é o responsável pela administração da casa. Levantamento aponta que a primeira secretaria tem 126 funcionários lotados, no entanto seu quadro prevê dez.

Internet e
recadastramento
Diante da repercussão da reportagem o presidente Nelson Justus realizou reunião a portas fechadas com os deputados e anunciou a antecipação do recadastramento dos funcionários. Ele também garantiu a disponibilização dos diários oficiais da Casa na internet. Justus não tocou, porém, no nome do diretor-geral. O primeiro-secretário da Casa, deputado Alexandre Curi (PMDB), também silenciou sobre as denúncias contra o diretor-geral. Abib foi indicado para o cargo pelo ex-presidente da Assembleia Aníbal Khury (já falecido). Sua força política porém é inegável já que continuou como diretor-geral nas gestões dos dois presidente posteriores: Hermas Brandão e Nelson Justus.