Rio das Cobras adere a programa para combate ao alcoolismo

Para quem passa na BR 277 e PR 483 entre os municípios de Nova Laranjeiras,
Quedas do Iguaçu e Guaraniaçu, é comum ver indígenas caídos a beira da
estrada. Alguns deles sofrem de um problema crônico, que afeta cada vez
mais pessoas: o alcoolismo.
Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), na aldeia de Rio das Cobras
há pelo menos seis casos passíveis de internamento e 30 pessoas que agora
farão parte do Alcoólicos Anônimos (A.A.). O grupo está sendo fundado este
ano através de uma parceria com o Ministério Público e Funasa para
conscientização e prevenção do alcoolismo entre os índios.
O projeto é inédito no Paraná com atuação através de palestras e apoio às
670 famílias residentes na comunidade. Alguns indígenas serão encaminhados
a centros para tratamento e recuperação. Já tentamos de tudo. Inclusive
encaminhamos à delegacia pessoas que estavam vendendo cachaça para
indígenas, mas não adiantou. Os comerciantes continuam vendendo, afirmou
o cacique de Rio das Cobras, Angelo Rufino.
O dinheiro cobrado pelo litro de cachaça – entre R$ 10 e R$ 20 – vem
geralmente da venda de artesanato, Bolsa Família ou Bolsa Escola. Algumas
vezes, os comerciantes simplesmente trocam a bebida alcoólica por balaios
e outros artigos fabricados artesanalmente. Este é um problema grave e
que a partir de agora contará com o apoio da Polícia Federal na
fiscalização. A punição para quem vende bebida alcoólica para indígena é
de seis meses a três anos de detenção, disse o chefe da Funai em Nova
Laranjeiras, Adir Carlos Veloso.
A tendência é aumentar o alcoolismo entre os indígenas, principalmente
porque o consumo está crescendo entre os jovens. Há muita gente envolvida
na bebida. Agora, temos até estudantes, disse o cacique.
Alcoolismo aumenta violência
Dois assassinatos foram registrados em 2006 na aldeia de Rio das Cobras,
decorrentes da ingestão de bebida alcoólica. Um dos casos chocou a
população: o filho matou o próprio pai após encher a cara. O consumo da
cachaça só traz problemas para a comunidade. Os indígenas ficam
extremamente agressivos quando bebem. Eles não têm resistência nenhuma ao
álcool, avalia o chefe da Funai.
O comportamento dos indígenas na beira da pista após ingerir bebidas
alcoólicas também elevou o número de acidentes. Desde 1986 foram 80
óbitos.

Atendimento
A primeira panfletagem e palestra com o grupo Alcoólicos Anônimos de
Cascavel, realizada em janeiro deste ano, já está surtindo efeito. Segundo
a enfermeira Elinéusa Gomes Fortuna, os indígenas de Rio das Cobras estão
buscando orientação no posto de saúde. Não só desta aldeia, mas também de
outras comunidades nos procuram, disse ela.
As pessoas que buscam atendimento respondem um questionário de doze
perguntas do A.A. Os que se enquadram são inseridos no grupo. A próxima
reunião acontecerá dia 24 de março (terça-feira). Por enquanto o grupo
A.A. de Cascavel está conduzindo os trabalhos, mas queremos despertar um
líder daqui para comandar as reuniões, afirmou Elinéusa.