Quem
nunca passou pela situação de cantarolar a mesma música o dia
inteiro? Você acorda e os versos let it go, let it go já
estão em sua mente, você vai para o trabalho e continua cantando,
almoça, descansa e quando vê está cantando novamente…
O
fenômeno chega a ser irritante, e pode ser pior ainda quando a
música ‘grudenta’ não é do seu agrado.
Mas
como se livrar destas músicas? Um estudo da Universidade de Reading
na Inglaterra descobriu um método simples: mascar chicletes depois
de ouvir a canção indesejável. Os autores da pesquisa afirmam que
o ato nos faz pensar menos na música.
Mandíbulas
em ação
Segundo
Phil Beaman, professor da Escola de Psicologia e Ciências da
Linguagem da Universidade de Reading e autor principal do estudo, o
ato de mover a mandíbula interfere com a memória de curto prazo e
com a imaginação de sons. Quando você tenta lembrar uma canção,
usa muitos dos mesmos mecanismos que usaria para se preparar para
falar e cantar. E, se você está mascando chiclete, acaba usando
esses mesmos sistemas para planejar os movimentos de suas mandíbulas.
Ao forçar essas regiões a permanecer ativas durante o ato de mascar
chiclete, elas ficam menos disponíveis para ajudar na geração ou
na recordação de uma melodia grudenta, explica Beaman à BBC.
Resultados
Ele
realizou um experimento com 98 voluntários, que escutaram as canções
Play Hard, de David Guetta, e Payphone, de Maroon 5. Depois, os
cientistas pediram aos voluntários que nos três minutos seguintes
evitassem pensar nas canções que haviam escutado. Mas que, caso
pensassem nelas, batessem em uma tecla. Os que mascavam chiclete
disseram ouvir e pensar nas melodias escutadas com frequência três
vezes menor. Suponho que o efeito será similar se você mastigar
o chiclete no momento em que escutar a canção, afirma Beaman.
E
outras ações semelhantes que envolvam movimentos da mandíbula e da
língua, como comer e falar, também podem ter resultado semelhante.
Outras
formas
A
pesquisa de Reading cita enquetes em que mais de 90% das pessoas
consultadas disseram ficar com uma música “grudada” na
cabeça pelo menos uma vez por semana.
Um
estudo anterior, conduzido pela Universidade Western Washington, nos
EUA, sugere outra forma de esquecer as canções pegajosas: resolver
anagramas complexos ou ler um romance. As atividades, dizem os
autores do estudo, podem ajudar a expulsar a música intrusa da
memória, substituindo-a por pensamentos mais agradáveis. O
problema, argumenta Beaman, é que é preciso calibrar a dificuldade
do anagrama: se ele for muito complexo, nossa mente pode se distrair
e voltar à canção. Se ele for muito simples, pode não ser
suficiente para fazer a mente se concentrar.
Outras
sugestões (que não estão comprovadas cientificamente) compiladas
pela psicóloga britânica (e estudiosa do fenômeno) Vicky
Williamson são escutar outras músicas ou sair para uma corrida.



