O terremoto e tsunami que atingiram o Japão na última sexta-feira (11) deixaram até agora, segundo a Polícia Nacional japonesa, 3.373 mortos e 6.746 desaparecidos. Segundo o balanço, há ainda 1.897 feridos. Outros terremotos secundários atingiram o país ontem (15), segundo o Serviço de Pesquisas Geológicas dos EUA. Dois deles mais fortes, de magnitudes 6 e 6,1.
Para quem esta aqui no Brasil e tem familiares e amigos no Japão, como é o caso do casal laranjeirense Tamy Saito e Raul da Silva, essas notícias trazem preocupação e tristeza. Nós que moramos lá por cinco anos, temos uma visão diferente. A gente queria estar lá para ajudar, revela Tamy.
O casal tem dois tios e amigos na cidade de Yokkaichi-shi, onde só houve tremores, mas ainda fica a apreensão e preocupação. A comunicação é realizada através da internet e na ligação feita na segunda-feira (14), os amigos disseram que não pretendem sair do Japão. Nós ficamos preocupados e tristes aqui porque eles não querem sair do Japão por causa do dinheiro. Eles têm medo de vir para o Brasil não conseguir emprego e passar necessidades, conta Raul.
Para os japoneses o trabalho é prioridade e o índice de suicídio é muito alto. Se a fábrica falir e eles ficarem desempregados, eles entram em um desespero profundo e podem até cometer suicídio, declara Tamy.
Um povo preparado
A maioria dos japoneses sabem o tempo médio entre suas residências, locais de trabalho ou estudo e tem sempre à mão o kit terremoto, que deve ser guardado próximo à porta de saída. Além de não retornam aos imóveis antes de ter certeza de que não há risco de desabamento.
O Dr. Isac Kei Yamazaki tem familiares em Nagano, onde aconteceu a Olimpíada de inverno, e conta que os japoneses são um povo preparado para terremotos, mas não para tsunami. Acho que são mais de dez mil mortos. Houve um terremoto parecido na época do meu avô, e foi seguido de muitos incêndios porque o gás encanado vazou e morreu muita gente, conta.
Para o Dr. Isac a escassez de suprimentos básicos é um dos motivos do retorno dos brasileiros que estão no japão. Os brasileiros que foram trabalhar estão todos voltando, não há água, comida e muitos postos de trabalho serão fechados. Soube que três ou quatro fábricas de automóvel vão fechar no Japão, destaca.



