A secretaria de Justiça aprovou e deverá ser implantado nos próximos dias em Laranjeiras do Sul o Pró-Egresso. O Programa de Inserção de Egressos do Sistema Penitenciário tem como objetivo estimular a inclusão – na sociedade e no mercado de trabalho – de egressos das penitenciárias por meio de programas da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho.
Segundo o presidente do conselho da comunidade, Teófilo Piaceski, em Laranjeiras do Sul o Pró-Egresso é uma iniciativa do juiz Dr. Bernardo Fazolo Ferreira. Desde novembro já estamos trabalhando dentro do projeto. Vamos receber uma verba em torno de R$ 60 mil por ano para pagar o coordenador, supervisor e quatro estagiários. Esse é o valor remetido pela secretaria de Justiça, informou Piaceski.
Um edital do Conselho da Comunidade, publicado na última semana, abriu vagas para um coordenador, um psicólogo, um assistente social e quatro estagiários que atuarão no Pró-Egresso. O salário para o coordenador, que deve ter formação em Direito, é de R$ 850. Para psicólogo e assistente social é R$ 700 para carga horária de 30 horas. Os estagiários terão remuneração de R$ 594. Os interessados devem nos procurar até o dia 23 desse mês para serem selecionados. O nosso projeto vai funcionar a partir do dia 02 de março, informou Piaceski.
Conforme levantamento do Conselho da Comunidade, há no Fórum de Laranjeiras 180 processos. Destes, entre 40 a 60 são de presos que poderão ser beneficiados com a pena alternativa, acredita o presidente. Os beneficiados são os detentos que já foram condenados e cumpriram parte da pena. Com esses é que o Conselho vai trabalhar, para que eles consigam emprego ou prestem serviço para a comunidade.
As atividades poderão ocorrer não só em Laranjeiras do Sul, mas em todos os municípios que fazem parte da Comarca: Rio Bonito do Iguaçu, Porto Barreiro, Marquinho e Nova Laranjeiras. Para o Conselho da Comunidade, a implantação do Pró-Egresso será uma saída para reduzir a superlotação na delegacia de Laranjeiras do Sul. Quando a gente visita os presos, a maioria reclama que já cumpriu a pena no regime fechado e que precisaria entrar em liberdade. Muitos o advogado já abandonou a causa. Aí é que entra o trabalho do Conselho da Comunidade, destaca.
Segundo Teófilo Piaceski, o Dr. Bernardo já solicitou da Prefeitura as salas onde funcionarão o projeto. Fizemos o pedido por intermédio do secretário do Everson Mesquita. Houve um sinal positivo de que eles vão nos atender. O juiz Dr. Bernardo Fazolo foi procurado para comentar o assunto à nossa reportagem, mas encontra-se em férias.
PENA NÃO É CASTIGO
O delegado chefe da 2ª SDP, Adriano Chohfi, avalia como excelente a implantação do programa. Não temos condições de possibilitar trabalho aos presos. Não temos como fiscalizar e o Pró-Egresso vai dar oportunidade de progressão de pena de forma correta, cumprindo a lei, justifica. Na delegacia encontram-se 108 presos provisórios. Com o Pró-Egresso vamos poder beneficiar cerca de 50% desses presos, acredita o delegado.
Na opinião dele, o cumprimento da pena não é um castigo forçado, mas uma punição imposta pela lei. Em algumas cadeias o tratamento é sub-humano e aqui é muito bem organizado. Os delegados que passaram anteriormente tinham essa preocupação de ter uma cadeia compatível com a punição a ser exercida pelo Estado. No entanto, temos a superlotação. É uma cadeia para 40 presos e temos quase 110. Já chegou a ter 140. Isso não é certo, conclui.
De volta à sociedade
Na opinião do detento Cleiton Alves da Silva, preso há quatro anos e oito meses acusado de latrocínio, a oportunidade de sair para trabalhar representa muita coisa. Vou poder voltar para a sociedade, ganhar um dinheirinho para ajudar a família em casa. Penso em ajudar minha família, eles estão passando necessidade, estão lutando por nós lá fora e tenho que ajudar eles, responsabiliza-se.
Morador de Candói, antes de ser preso Cleiton trabalhava como vendedor. Ele ainda tem pouco mais de um ano para cumprir na cadeia. Mas espero cumprir esse resto trabalhando. Eu por três vezes saí de forma temporária, fiquei sete dias em casa, voltei… Sou um preso exemplar, quero ir embora desse lugar, adianta.
Para o detento Wilson Martins, preso há um ano e cinco meses por tráfico de drogas a regressão é tudo o que um preso precisa para voltar à sociedade mais tranquilo e com os pés no chão. E retomar a vida de forma correta. Eu estou quase indo embora. Tendo essa oportunidade de estar trabalhando, você sai melhor. Já paguei pelo crime que cometi e certamente não vou repetir. O crime de forma alguma não compensa, admite.



