Javali: satélites podem ajudar a medir danos no campo
Tecnologia testada nos Estados Unidos usa imagens diárias para acompanhar lavouras e pode apoiar o controle de javalis no Paraná
Imagens de satélite usadas para acompanhar o desenvolvimento das lavouras podem ganhar uma nova aplicação no meio rural: identificar áreas afetadas por javalis e medir os danos causados pelos animais. A possibilidade foi observada por produtores e lideranças rurais do Paraná durante uma visita à Planet Labs, em São Francisco, na Califórnia.
A empresa utiliza imagens de satélite para acompanhar diferentes talhões diariamente. Os dados, combinados com inteligência artificial, permitem gerar informações sobre as condições das áreas de manejo. “Para o produtor, o interessante é conhecer o que está acontecendo a cada dia em cada um dos talhões”, explicou Ariel Zajdband, gerente de Produto de Agricultura da empresa.
Tecnologia para mapear prejuízos
A visita integra a viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos. O quarto grupo reúne 40 produtores e lideranças rurais do Paraná e permanece no país até 19 de setembro.
Deborah Gerda de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP e representante do Sindicato Rural de Tibagi, identificou potencial para usar a tecnologia no mapeamento das áreas atingidas pelos javalis. Atualmente, ela acompanha informações do NDVI, índice obtido por sensoriamento remoto para avaliar o comportamento da vegetação.
“Com essas imagens de satélite, podemos identificar onde o javali está causando a devastação, ter uma dimensão mais próxima do dano real e acompanhar as regiões onde esse problema está avançando”, afirmou.
A aplicação ainda será analisada. Deborah já marcou uma reunião com a empresa para o fim de setembro para avaliar se as imagens podem identificar alterações causadas pelos animais.
Controle e risco sanitário
A falta de dados sobre a presença dos javalis é apontada como um dos obstáculos para o manejo. Em 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária conduziu a pesquisa “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil”, com participação do Sistema FAEP.
A mobilização no Paraná começou na Comissão Técnica de Suinocultura e levou, em 2020, à criação de um grupo de trabalho que reúne órgãos como Mapa, Ibama, Exército, Adapar e representantes do setor produtivo.
Além dos prejuízos nas lavouras, os animais preocupam pela possibilidade de participar da circulação de doenças como a Peste Suína Africana e a Peste Suína Clássica. “A principal preocupação é a quantidade de doenças que o javali pode trazer, principalmente para a suinocultura, e o impacto financeiro que um problema sanitário pode provocar no setor”, disse Deborah.
Uso também na pecuária
A tecnologia também chamou a atenção dos pecuaristas. Mário Zafanelli, vice-presidente do Sindicato Rural de Umuarama, destacou o uso das imagens para acompanhar pastagens e antecipar decisões de manejo.
“Pelas informações, o produtor consegue perceber que determinado pasto está deteriorado e antecipar a decisão de colocar ou retirar um lote daquela área”, afirmou.
Segundo ele, a ferramenta também pode ajudar na contagem de animais e, futuramente, ter acesso coletivo por meio de sindicatos e outras entidades ligadas aos produtores.



