Em 2021, atendimento a pessoas com transtornos mentais aumenta 11%

“A tristeza, causada pelo luto/perda, se torna patológica quando sentida por períodos prolongados”, explica psicóloga Nezia dos Santos

Os atendimentos a pessoas com transtornos mentais e comportamentais devido ao uso abusivo ou dependência de álcool e outras drogas aumentaram 11%, no Sistema Único de Saúde (SUS), durante o ano passado.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2021, a rede pública realizou 400,3 mil atendimentos em virtude de transtornos causados pelo consumo de substâncias químicas. Em 2020, foram registrados 356 mil atendimentos.

Do total de atendimentos realizados no ano passado, 159,6 mil estão relacionados ao uso abusivo do álcool. Em seguida, vêm os transtornos mentais e comportamentais causados pelo uso de cocaína (31,9 mil) e fumo (18,8 mil).

Pelo álcool ser legalizado e de fácil acesso, é o mais recorrido em casos de depressão. Isso ocorre porque a tristeza, causada pelo luto/perda, se torna patológica quando sentida por períodos prolongados.

“O cérebro da pessoa depressiva tem menor proporção de dopamina, e, tanto o álcool quanto as drogas, são substâncias químicas que captam melhor este hormônio. As substâncias se tornam um gatilho a cada vez que o paciente a procura para tentar se sentir bem”, explicou a psicóloga de Cantagalo, Nezia dos Santos.

Opiáceos, canabinoides, sedativos, hipnóticos, alucinógenos, solventes voláteis e estimulantes (incluindo a cafeína) também fazem parte do levantamento, com números menores de registros. Por fim, o uso de múltiplas drogas e de outras substâncias psicoativas não listadas individualmente somam 151,3 mil atendimentos.

Perfil

Pacientes do sexo masculino são a maioria dos usuários atendidos pelo SUS, em qualquer dos casos. Já em relação à faixa etária, a maior parcela tem entre 25 e 29 anos (303,7 mil registros), seguidos da faixa de 10 a 24 anos (49,4 mil) e daqueles com 60 ou mais (38,4 mil).

Os números foram divulgados neste domingo (20), Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, como uma forma de alerta para o que o ministério, em nota, classificou como “um problema global”.

“O problema é intensificado quando verifica-se que, além da maior parte dos suicídios serem cometidas por homens, 80% das pessoas que os fazem estão sob efeito do álcool. O paciente deprimido bebe mais, mas a capacitação de dopamina vai diminuindo”, adicionou Nezia.

Pandemia

Com o isolamento e aumento do luto causado pela pandemia de Covid-19, a tristeza e ansiedade desajustaram a capacidade de processamento de muitas pessoas para lidar as emoções.

“Quem sente essa dor acaba tendo sintomas mais intensos e acaba ficando incapacidade de exercer suas funções, começando apresentar sintomas como falta de ânimo, percas familiares e profissionais, irritabilidade, angústia. À medida que ela se estabelece, A pessoa vai sentindo cansaço e apatia. É neste período que pode acontecer dela procurar fugas”, continuou a psicóloga.

Além disso, para a pasta, o aumento do último ano pode ser um indicativo de que, após evitarem ir a estabelecimentos de saúde durante todo o ano de 2020, com medo de serem infectados pelo novo coronavírus, mais pessoas voltaram a buscar atendimento médico em 2021.

Importância da ajuda

“Importante lembrar que esses números não são suficientes para retratar o problema da dependência química no país, tendo em vista que estamos falando especificamente da quantidade de atendimentos e não do total de pessoas dependentes”, explica, na nota, o coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do ministério Rafael Bernardon.

“Além disso, muitas pessoas com transtornos decorrentes do uso dessas substâncias não procuram os serviços de saúde por fatores diversos, como o estigma e a falta de informação”, pontua.

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