Após quatro anos, mãe consegue redução de jornada de trabalho para cuidar do filho com autismo

“Nunca desistirei de lutar pela qualidade de vida do meu filho, eu nunca vou cansar de lutar”.

No dia 9 de abril, foi concedido a funcionária pública Ester Nunes Furquim, a redução de 50% de sua carga horária de trabalho, medida assegurada pela Lei 13.370/2016, que garante ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência o direito à redução da jornada, sem a necessidade de compensação de horário.

Ester é mãe de três filhos e cidadã laranjeirense desde os 16 anos. Seu filho mais novo, Jonathan, chamado carinhosamente por ela de “anjo azul”, tem 7 anos e é especial. “O maior desafio foi lidar com descoberta de que meu filho é autista. Depois, aprender como agir com as crises foi bastante assustador.  Foram necessárias muitas pesquisas e muita paciência. Havia dias que eu pensava que não conseguiria, mas Deus colocou pessoas certas no meu caminho e eu tenho muito a agradecer”.

Uma dessas pessoas que passou pelo caminho da Ester é a Gracieli Cristian Schroeder Castilho, professora do ensino público e especialista em educação com ênfase em políticas públicas e transtorno do espectro autista, que explicou que o autismo, ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é uma condição de saúde caracterizada por déficit na comunicação social e por comportamento – interesse restrito e movimentos repetitivos. “Não há só um autismo, mas muitos subtipos do transtorno. Algumas pessoas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico”, destaca a professora.

A redução da jornada

O processo para conseguir a redução de jornada foi longo para Ester, que passou mais de quatro anos na luta no âmbito jurídico. Segundo ela, tudo começou quando ela procurou alguns vereadores e contou a história com o filho, que tinha que ficar em duas escolas enquanto ela trabalhava, o que o deixava muito estressado. Porém, como não obteve respostas, recorreu à justiça, que negou o pedido. “Eu fiquei arrasada, meu advogado precisou recorrer mais uma vez. Mesmo assim, se passaram mais dois anos e a minha luta só aumentava. Até que este ano, há exatos 30 dias, eu venci. A juíza me concedeu a redução permanente e agora eu posso dizer que justiça foi feita. Nunca desistirei de lutar pela qualidade de vida do meu filho, eu nunca vou cansar de lutar”, prosseguiu ela.

A professora Cristina ressaltou que a conquista é uma vitória para toda comunidade autista, e que a conscientização sobre o caso é muito importante. “Em nossa região [Laranjeiras do Sul], os números de crianças portadoras do TEA vêm crescendo e isso nos preocupa enquanto profissionais envolvidos, porque sabemos que não temos uma estrutura de saúde que os atendam, nem suporte educacional na rede pública que deem conta desses alunos.”

Ela destaca ainda que são necessárias políticas públicas que cheguem os alunos, como atendimentos de fonoaudiologia, psicólogos, neuros e outros tantos envolvidos. “Sabemos da importância para o desenvolvimento da criança o acompanhamento de profissionais  capacitados, orientados sobre o Transtorno do Espectro Autista. Já tivemos muitos ganhos na rede pública, mas vejo a necessidade de mais envolvimento do poder público com está causa”, completa Cristina.