Aumento da fome no Brasil chega a nível alarmante

Segundo levantamento feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), 33,1 milhões de brasileiros estão passando fome

Em menos de dois anos, é evidente o aumento da quantidade de pessoas passando fome no Brasil. Os dados são da pesquisa Vigisan (Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil), divulgada ontem (08). Segundo os dados apresentados, 33,1 milhões, ou seja, 15,5% da população brasileiras estão passando fome.

De acordo com a mesma pesquisa, realizada pela primeira vez, pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), em 2020, 9,1% da população brasileira passava fome, eram 19 milhões de pessoas.

Desde 2004, pesquisas como essa começaram a ser feitas pelo IBGE, mas que parou em 2018. Nesse caso não há como fazer uma comparação de dados. Já essa nova pesquisa, feita entre novembro de 2021 e abril de 2022, pelo instituto Vox Populi, visitou 12.745 domicílios de 577 municípios nos 26 estados e no Distrito Federal.

Dados alarmantes

A insegurança alimentar afeta mais da metade da população brasileira, ou seja, 125,2 milhões de pessoas. Uma população que constitui famílias em estado de extrema vulnerabilidade e preocupação constante por conta da impossibilidade de não conseguir ou ter alimento futuramente, contando também as que passam fome atualmente.

Acerca dos números apresentados, 60% dos domicílios relataram situação alimentar grave, o que compreende 18,6%. Outro ponto destacado foi que as famílias negras e comandadas por mulheres são as mais atingidas no momento, ou seja, 65% dos domicílios no caso de famílias comandadas por pessoas pretas e pardas e 63% as famílias regidas por mulheres e que revelam extrema dificuldade alimentar.

Um fator que representa outro grave adicional a esta situação é a insegurança hídrica. Além da fome que atinge esses lares, também há problemas no abastecimento de água. 42% relataram passar por situação de fome aliadas a questão do fornecimento de água. As populações mais atingidas são Norte, com 71,6% e Nordeste, com 68%. No total, o Nordeste é o que revelou ter mais pessoas passando fome: 12 milhões.

Situação que piora

De acordo com uma pesquisa, que usa como parâmetro a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), também usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nível de segurança alimentar, atualmente, é separado em quatro diferentes graus: Segurança alimentar: atinge 41,3% dos brasileiros, quando a família consegue ter um acesso frequente e permanente a conseguir alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem precisar comprometer o acesso a outras necessidades básicas; Insegurança alimentar leve: que atinge 28% dos brasileiros, quando a família se preocupa e vivem na incerteza se vão conseguir ter o acesso a alimentos no futuro e se vão ser de qualidade inadequada proveniente de estratégias que buscam não afetar a quantidade de alimentos; Insegurança alimentar moderada: afeta 15,2% da população, quando ocorre diminuição quantitativa de alimentos para os adultos ou quebra nos padrões básicos de alimentação, o que resulta na falta de alimentos; Insegurança alimentar grave: atinge 15,5% dos brasileiros, quando a diminuição quantitativa de alimentos ocorre entre as crianças, desestabilizando completamente com os padrões básicos de alimentação, efeito da falta de alimento.

Segundo a pesquisadora Ana Maria Segall, participante da apuração dos dados, relata que o cenário atual da fome no Brasil está pior que em 2004, quando as pesquisas se iniciaram, usando a nova metodologia, menos restritiva como era a pesquisa de antigamente.

O aumento da fome e também da pobreza, era, segundo ela, percebido desde 2018. É horrível para os pesquisadores encaram os dados revelados pela pesquisa atualmente. “Isso nos dá um sentimento de muita indignação. E o que mais chama atenção é a velocidade da fome, considerando o intervalo entre um levantamento e outro”, disse Ana.

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