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População frequenta menos atividades de lazer e cultura do que antes da pandemia

Segundo o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, mesmo com a volta das atividades presenciais, o uso do formato online ainda será comum no cotidiano do cenário cultural

De acordo com pesquisa divulgada ontem (25) pelo Itaú Cultural, grande parte da população brasileira (62%) frequenta atividades de cultura e lazer menos do que antes da pandemia da Covid-19. A pesquisa aponta que 62% da população voltaram a mesma frequência de antes do alastramento da doença e 12% vem realizando atividades assim em um ritmo maior.

Esse levantamento, feito pelo Instituto Data Folha, realizou 2.240 entrevistas com pessoas entre 16 e 65 anos, de todas as regiões do país e de todas as classes econômicas.

Segundo os dados levantados, a atividade presencial mais frequentada é o cinema, tendo sido mencionada por 26% do público. No último ano 18% frequentaram apresentações artísticas de música, dança ou teatro. Antes da pandemia, o percentual era de 38%.

Atividades online

A pesquisa mostra que muitas pessoas consomem atividades culturais de forma online. Os dados apontam que 80% do público ouviu música pela internet neste último ano e 70% assistiu a filmes e séries. Também entraram nesta categoria os podcasts, consumido por 42% do público. 39% mencionaram os jogos eletrônicos. O tempo gasto no consumo de cultura e lazer pela internet ficou em 2 horas e 56 minutos por dia.

Segundo o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, mesmo com a volta das atividades presenciais, o uso do formato online ainda será comum no cotidiano do cenário cultural. Ele também apontou para a coexistência das duas formas. “Está nítido que esse hibridismo veio para ficar”, afirmou.

Com esta realidade, Eduardo ressalta que será um desafio manter o apelo das instituições culturais com o público, por conta do alto grau de exigência para atividades online.

“Se na pandemia as pessoas tinham tolerância de um som mais comprometido, uma imagem mais turva ou craquelada, hoje, naturalmente, o público pede que a gente aumente essa régua”, disse Eduardo.

Ele também acredita que é necessário inovar para trazer as pessoas a espetáculos e amostras culturais. “Essa experiência presencial precisa oferecer mais do que era oferecido até então”.

Benefícios a saúde mental

No cenário da pandemia e do isolamento social, 49% das pessoas afirmaram terem tido algum problema de saúde mental. Destes, 68% procuraram tratamento.

A pesquisa também mostra que a cultura e o lazer de forma online proporcionaram melhora na qualidade de vida de 48% da população. Para cerca de 54%, a interação virtual ajudou na redução de estresse, ansiedade, solidão e tristeza.