Alergia alimentar exige vigilância diária de pais e responsáveis

Famílias convivem com restrições, medo de reações graves e dificuldade de acesso a tratamento

Coceira, inchaço, vômito, falta de ar e risco de anafilaxia. Sintomas que podem surgir poucos minutos após uma refeição ajudam a revelar um problema crescente: a alergia alimentar. Entre os dias 19 e 25 de maio, a ‘Semana Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar’ reforça a importância do diagnóstico correto, da prevenção e do acesso à informação.
A condição ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a proteínas presentes nos alimentos. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), leite, ovo, soja e trigo estão entre os principais causadores de alergias em crianças de até dois anos.

Diagnóstico exige atenção
A alergista Renata Cocco, Coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da ASBAI, explica que os sintomas variam de leves irritações até quadros graves. “A anafilaxia é a forma mais grave da alergia alimentar e pode levar à morte se não houver atendimento rápido”, afirma.
Ela alerta que o diagnóstico inadequado pode trazer consequências importantes. “Muitas crianças acabam entrando em dietas restritivas sem necessidade, o que pode prejudicar o crescimento e o estado nutricional”, diz.
Segundo a especialista, o único tratamento eficaz ainda é evitar completamente o alimento responsável pela reação. “Não existe cura definitiva. O controle depende da exclusão total do alimento e da atenção permanente das famílias”, ressalta.

Rotina marcada pelo medo
Mãe da pequena Alice, que tem alergia severa a trigo e ovos, Emily Doré afirma que a doença mudou completamente a rotina da família. “Existe muita confusão entre alergia e intolerância, mas no caso da alergia estamos falando de risco de vida. Um simples contato com esses alimentos pode desencadear uma crise grave”, relata.
Ela conta que situações comuns passaram a exigir planejamento constante. “Quando ela vai para a escola, quando viajamos ou vamos a um restaurante, tudo precisa ser conferido. Muitas vezes os cardápios não informam os ingredientes, e no supermercado precisamos ler rótulo por rótulo”, afirma.
Emily também chama atenção para a dificuldade de acesso à adrenalina auto injetável, usada em casos graves. “As famílias precisam importar, pois a Anvisa não autorizou a venda no Brasil, pagando valores muito altos”, diz.
Para Renata Cocco, a conscientização ainda é um dos principais desafios. “Informação salva vidas. Saber reconhecer os sintomas e agir rápido pode fazer toda a diferença em uma emergência”, destaca.
A Semana Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar foi criada para ampliar o debate sobre o tema e estimular ações de orientação à população. A campanha também busca reforçar a importância do acompanhamento médico especializado e da identificação correta dos alimentos que podem provocar reações alérgicas.