Virmond mantém viva a herança polonesa após 105 anos
Em entrevista exclusiva, pesquisador relembra a ocupação da antiga Fazenda Amola Faca e a preservação das tradições polonesas em Virmond
A história de Virmond tem ligação direta com a antiga Fazenda Amola Faca, área que deu origem ao atual município e recebeu, a partir de 1921, famílias descendentes de poloneses que já viviam no Brasil havia cerca de 30 anos. A trajetória dessas famílias, a preservação da memória e os costumes mantidos até hoje foram temas da entrevista exclusiva concedida pelo pesquisador Geraldo Zapahowski ao Jornal Correio do Povo do Paraná.
Segundo ele, a colonização começou em maio de 1921, impulsionada por anúncios publicados em jornais poloneses editados em Curitiba. “A vinda dos primeiros colonizadores poloneses em Virmond começou em maio de 1921, quando vieram atraídos pelas propagandas dos jornais poloneses editados em Curitiba”, relatou.
Geraldo explica que as famílias não vieram diretamente da Polônia para Virmond. Antes disso, já estavam estabelecidas em outras regiões brasileiras. “A ideia partiu de Kazimierz Gluchowski após visitas aos núcleos de imigrantes poloneses que já estavam no Brasil há mais de 30 anos”, afirmou. Gluchowski, primeiro cônsul da Polônia no Brasil, é apontado pelo pesquisador como a principal figura do projeto colonizador da antiga Fazenda Amola Faca.
Outro nome citado por ele é o de Ladislau Radecki. “O ‘pai da colonização polonesa em Virmond’ é Ladislau Radecki. Ele foi o engenheiro agrimensor e administrador da venda dos lotes da antiga fazenda que pertencia à família Virmond”, explicou.
Tradições mantidas
Mais de um século depois da chegada dos primeiros pioneiros, parte dos costumes permanece presente na rotina das famílias do município. “Neste ano de 2026, lembramos 105 anos da chegada dos primeiros pioneiros à nossa terra. Muitas tradições ainda permanecem vivas entre os descendentes, sendo culinária, religiosidade, trabalho na agricultura e as festas tradicionais”, contou.
De acordo com Geraldo, aproximadamente 75% da população de Virmond possui descendência ligada aos colonizadores. “A descendência representa a continuidade da história dos nossos antepassados. Carregamos ainda muitas características de nossos avós e bisavós, sendo em traços físicos, cor da pele e dos olhos. O sobrenome, mesmo sendo ‘maltratado’ com muitas alterações, também é um fator de nossa identidade”, afirmou.
Ele também observa que muitos hábitos culturais já estão incorporados ao cotidiano local. “Muitas vezes nós que fazemos parte do meio nem percebemos a diferença de costumes poloneses em nossa rotina. Geralmente as pessoas de fora percebem melhor a diferença”, disse.
Cultura, dança e gastronomia
Entre os grupos responsáveis por manter viva a cultura polonesa em Virmond está o Braspol Mali Polacy, formado por integrantes de diferentes faixas etárias, desde crianças até adultos. O grupo atua principalmente na preservação das danças típicas polonesas e participa de apresentações culturais no município e na região.
Segundo Geraldo, a cidade busca preservar os costumes dos antepassados principalmente por meio das manifestações culturais. “Procuramos sempre manter a cultura polonesa em nossa cidade principalmente através dos trajes típicos regionais e danças da Polônia”, destacou.
Na gastronomia, o pierogi segue como o prato mais associado à identidade local. “Geralmente quando falamos em prato típico polonês, logo lembramos do pierogi, e é o que nos representa”, afirmou. Ele conta ainda que muitas receitas tradicionais continuam sendo passadas entre as gerações.
Memória preservada
Entre os locais que ajudam a contar a trajetória da colonização polonesa em Virmond, o pesquisador destaca a Casa da Memória, o busto de Ladislau Radecki, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Monte Claro e o Memorial do Imigrante Polonês, localizado no cemitério municipal.
“A Casa da Memória de Virmond é o principal marco da cultura polonesa em Virmond”, afirmou. Para ele, preservar essa história representa também manter viva a memória das famílias pioneiras. “Muito orgulho e responsabilidade de não deixar cair no esquecimento a memória daqueles que com muita força e coragem iniciaram tudo que temos em Virmond”, concluiu.
Além da preservação histórica, Virmond segue transformando as referências herdadas dos antepassados em parte da vida cotidiana da cidade. Entre celebrações, encontros familiares, manifestações culturais e espaços dedicados à memória, o município mantém viva uma relação direta com suas origens, marcada pela presença das famílias descendentes e pela continuidade de tradições que atravessam gerações.




