Seis histórias, seis formas de viver a paternidade

Histórias de homens de diferentes gerações revelam como amor, dificuldades, perdas e aprendizados ajudam a construir a relação entre pais e filhos

Na véspera do Dia dos Pais, celebrado neste domingo, 09 de agosto, histórias de diferentes gerações mostram que a paternidade vai além da presença diária. Em comum, pais e filhos carregam lembranças, ensinamentos e o desejo de transmitir valores que resistem ao tempo, mesmo quando as formas de criar mudam.

As experiências reunidas revelam trajetórias marcadas por trabalho, desafios, perdas e afeto. Em cada relato, a figura paterna aparece como referência, seja pelos exemplos deixados, pelas lembranças da infância ou pela busca de fazer diferente na criação dos próprios filhos.

Não sei se posso dizer que sou um bom pai, mas busco dar à minha filha aquilo que eu não tive, sem esquecer de ensinar o que eu tive.
Elói Leonardo Piovesan Doré

Entre o exemplo e a gratidão

José Fernandes de Lima associa a figura do pai à educação recebida dentro de casa. Ele lembra que a disciplina foi decisiva para sua formação. “Meu pai me deu educação. Hoje tenho respeito pelas pessoas e acredito que isso ajudou a formar quem eu sou. Também foi ele quem me incentivou a ser motorista. E deu certo, e sou muito grato.”

Agora pai de duas filhas e avô de quatro netos, José diz que procura manter vivo o mesmo ensinamento. “Essa educação que meu pai me deu eu passei para minhas filhas. As coisas têm que ser feitas do jeito certo e sempre com respeito. Nunca faltar com respeito aos outros. Isso faz a diferença.”

Para Elói Leonardo Piovesan Doré, o pai fez o melhor que podia dentro da realidade em que foi criado. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas na juventude moldaram um homem dedicado ao trabalho e à família.

“Meu pai foi criado em outro tempo. Trabalhou desde muito cedo para ajudar a família e criar os irmãos. Ele trabalhou muito para dar para mim e para o meu irmão aquilo que não teve. Sempre esteve presente nos eventos e buscou fazer o melhor pela família. Me criou com princípios e isso demonstra todo o amor que tem pelos filhos.”

As melhores lembranças estão ligadas às viagens em família e ao trabalho do pai como caminhoneiro. “Tenho recordações muito especiais dos finais de ano em que acampávamos na praia. Também gostava de viajar de caminhão com ele. Vir de Cuiabá até Laranjeiras do Sul era uma aventura, principalmente na travessia da balsa de Guaíra.”

Hoje pai de uma menina, Elói afirma que procura preparar a filha para os desafios do futuro.

“Vejo que o mundo muda muito rápido. Quero protegê-la, mas também prepará-la para enfrentar qualquer situação quando eu não estiver mais aqui. Busco dar a ela aquilo que eu não tive, sem esquecer de ensinar o que eu tive.”

Romper ciclos e construir novas lembranças

Nem todas as histórias são marcadas por boas lembranças. Celio Jean da Rocha perdeu o pai entre os 10 e 11 anos e conta que a convivência foi difícil. “Ele fez o que conseguiu dentro da realidade que viveu. Também não teve referência masculina, porque perdeu o próprio pai muito cedo.”

A lembrança mais forte é justamente o último dia ao lado dele. “Ele me tirou de cima do trator, me pegou nos braços, me colocou no chão e voltou para colher fumo. Depois disso morreu. Essa é uma das memórias que mais me marcam.”

Celio relata que a presença do pai em casa era marcada pela violência. Hoje, procura construir uma relação diferente com a filha. “Não sei se sou um bom pai, mas sou o pai que consigo ser dentro das minhas possibilidades. Aprendi muito com outras figuras masculinas que passaram pela minha vida e também com os estudos. Hoje criamos nossos próprios gestos de carinho, contamos histórias antes de dormir e vamos construindo novas memórias. Fazia muito tempo que eu nem pensava sobre isso. Falar também é importante.”

Clayton Henrique Nogueira dos Santos, conhecido como Coca, guarda uma imagem que resume o sentimento que tem pelo pai. “No dia do meu casamento, vi meu pai chorar enquanto eu me arrumava. Olhei para ele e parecia que seu coração dizia: ‘Acho que cumpri até aqui meu dever’.”

Ele afirma que a maior herança recebida é o exemplo de superação. “O que mais valorizo é que, mesmo tendo vivido uma realidade muito diferente daquela em que me criou, ele nunca deixou as feridas do passado impedirem que se tornasse uma pessoa melhor.”

Ao falar sobre a própria paternidade, Clayton recorre à fé. “Como diz Lucas 18,19, ‘Só Deus é bom’. É olhando para esse maior exemplo de Pai que busco me curar e ser exemplo para meus filhos como homem, esposo, pai, profissional e amigo.”

Pequenos gestos que permanecem

Lucas Cristo lembra que cresceu no interior de Rio Bonito e define o pai como um homem firme, mas presente. “Foi um bom pai, do jeito dele, nas condições que tinha e com os ensinamentos que recebeu. Era mais bruto, mais sistemático, mas me ensinou respeito, o papel do homem na família e sempre me incentivou em tudo o que eu queria fazer.”

As lembranças mais marcantes estão nos momentos simples da infância. “Lembro dele indo às apresentações do Dia dos Pais na escola, às reuniões, assistindo aos meus jogos e dos presentes que fazíamos quando eu era criança.”

Ao relembrar outros momentos marcantes da infância, Lucas cita uma lembrança que guarda com carinho. “Acho que minha melhor lembrança é colocar uma caixa de som, pegar um microfone e cantar com ele as músicas que escutava no rádio. São momentos simples, mas que ficaram para sempre.”

“Ser pai é um aprendizado constante”

Para Pedro Beck Junior, a paternidade não pode ser medida entre acertos e erros. Ele acredita que ser pai é um processo contínuo de evolução, marcado por dedicação e renúncias. “É muito difícil a gente se avaliar ou se considerar um bom pai. Eu acredito que estamos sempre em construção. Cada fase da vida dos filhos traz desafios diferentes. Eu me vejo como um pai esforçado, dedicado e sempre tentando ser melhor.”

Segundo ele, muitas cobranças feitas aos filhos são motivadas pelo desejo de prepará-los para o futuro. “Às vezes eles acham que o pai é chato, mas é justamente isso que faz diferença lá na frente. Ser pai é ensinar, proteger e preparar para a vida. Mesmo quando existe distância, seja física ou emocional, o amor pelo filho continua sendo incondicional.”

Ao lembrar dos momentos mais marcantes, ele destaca as primeiras experiências ao lado dos filhos. “O nascimento, a primeira vez que peguei eles no colo, o primeiro banho, o primeiro ‘papai’, o primeiro sorriso, a primeira gargalhada e, principalmente, o primeiro abraço e o primeiro ‘eu te amo’. São lembranças que ficam para sempre.”

Ele resume a experiência de forma simples. “Ser pai é um aprendizado constante e, acima de tudo, um amor incondicional.”

Na diversidade das histórias, os relatos mostram que a paternidade não se resume à perfeição. Entre acertos, limitações, exemplos e recomeços, o que permanece é o impacto das pequenas atitudes que atravessam gerações e continuam presentes na vida dos filhos.

O Grupo Correio deseja a todos os pais um feliz dia e muitas realizações.